11 Minutos

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09 de outubro de 2015

Foi tanta a identificação do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu com tramas complexas, que envolviam o cruzamento do destino de personagens imersos em dilemas morais, que o estilo teve suficiência para gerar assunto em uma trilogia de longas: “Amores Brutos” (2000), “21 Gramas” (2003) e “Babel” (2006). A densidade dramática de tais filmes, infelizmente, não é uma característica em comum com “11 Minutos”, dirigido por Jerzy Skolimowski e candidato polonês a uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Com o desígnio de mostrar como a vida do ser humano está condicionada a ações completamente alheias a sua vontade, como feito por Iñárritu, o longa de Skolimowski peca pelo excesso, tropeçando nas próprias ambições megalômanas.

O exagero do roteiro, espremido na projeção que dura cerca de 80 minutos, começa pela variedade de personagens que revezam apressados seus lugares na tela − são apresentados um marido ciumento, uma atriz testada para um novo papel, um diretor de cinema cheio de segundas intenções, um vendedor de cachorro-quente ex-presidiário, um limpador de janelas que aproveita uns minutinhos de folga e por aí prossegue o elenco saturado. A direção, concentrada na proposta de mostrar como o destino dos personagens pode mudar no período onze minutos, negligencia um maior detalhamento das vivências paralelas que vão acabar se cruzando em um fatídico momento. Quanto ao aspecto das imagens de “11 Minutos”, a prioridade é a perfeição plástica dos planos, quase inférteis, que formam a estrutura de um roteiro frouxo em convicções. Como resultado, as consequências caem no colo de um espectador que não se sente nem um pouco íntimo, apesar da vontade de saber algo a mais, das trajetórias humanas que se desenrolam diante dos seus olhos.

A convergência dos personagens para uma conclusão de proporções explosivas, em todos os sentidos, também segue o trajeto do exagero, tanto na estética quanto no enredo. Sem uma mensagem forte para fundamentar as imprevisibilidades dos encontros, como os citados questionamentos morais desenvolvidos com primor por Iñárritu, “11 Minutos” padece da verborragia do discurso − é comunicação abundante, sem nada de memorável para transmitir.

Festival do Rio 2015

Panorama: Grandes Mestres

11 Minut, Polônia / Irlanda, 2015, 81’

Jerzy Skolimowski

Elenco: Richard Dormer, Wojciech Mecwaldowski, Andrzej Chyra, Dawid Ogrodnik, Paulina Chapko


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