TEATRO MUNICIPAL SERRADOR- Sala Brigitte Blair

Reinauguração é marcada por um show histórico de Bibi Ferreira, do alto de seus 93 anos, no seu palco de estreia há 74 anos atrás

por

10 de janeiro de 2016

Em 1o de março de 1940, com a peça de Joracy Camargo, “Maria Cachucha”, em três atos, divididos em 6 quadros, foi inaugurado o Teatro Serrador. Na ocasião o teatro tinha capacidade para 368 espectadores, e tinha no elenco Procópio Ferreira, Hortência Santos, Juracy de Oliveira, Francisco Moreno, Flora May, Léa Sodré, José Policena, Luiz Cataldo e Sylvio da Silva. O empresário Francisco Serrador, dono do teatro, quis escolher o nome do teatro por votação pública, de que participavam os espectadores do extinto Teatro Alhambra. Esses, fraudando a escolha dos votantes, deram-lhe o nome de “Moda”, colocando em segundo lugar “Serrador”, que era o primeiro colocado. O letreiro luminoso “Moda” já estava preparado quando um grupo de homens de teatro – Viriato Correia, Armando Gonzaga, Joracy Camargo, Eurico Silva, Rubem Gill e Raimundo Magalhães Junior- invadiu o edifício retirou a tabuleta e colocou, em seu lugar, uma outra provisória com o nome de “Serrador”. Assim nascia o Teatro Serrador.

foto 4 SERRADOR

Memórias impressas na parede do Teatro

Foi reinaugurado no dia 07 de janeiro pela Secretaria Municipal de Cultura – representada pelo secretário de cultura Marcelo Calero e pelo Prefeito Eduardo Paes -, o Teatro Municipal Serrador- Sala Brigitte Blair. O espaço estava fechado há dois anos, desde a ocupação da Cia Alfândega 88 do diretor Moacir Chaves, que o ocupou durante dois anos. Foi também graças ao projeto de ocupação do FATE (Fundo de Apoio ao Teatro da SMC/RJ), que a Cia conseguiu viabilizar a sua residência temporária. Contou a favor também, à época, a boa vontade da atriz Brigitte Blair- proprietária do imóvel -, que lutou sempre para que o espaço fosse um teatro até hoje. Um endereço histórico, inaugurado em 1940, onde, por exemplo, Henriette Morineau dirigiu a estreia de “A Valsa Nº 6”, de Nelson Rodrigues, em 1951 e a grande atriz, e cantora, Bibi Ferreia- 93 anos – estreou, em 1941, ao lado de seu pai Procópio Ferreira na comédia “La Locandiera”, de Carlo Goldoni, onde interpretava a personagem Mirandolina.

foto 2 SERRADOR

A nova fachada já com o novo nome: “Teatro Municipal Serrador- Sala Brigitte Blair”.

A grande iniciativa da Prefeitura e da SMC/RJ já vinha sendo negociada desde a gestão anterior, onde o secretário municipal de Cultura, Sérgio Sá Leitão, buscava uma solução para o espaço. Entre elas, integrá-lo à Rede Municipal de Teatro. Fato que veio a se concretizar apenas na excelente gestão do secretário Marcelo Calero, o melhor secretário municipal de Cultura que o Rio de Janeiro já teve, devido ao conjunto de grandes ações do mesmo em nossa cultura carioca. Uma opinião compartilhada também pelo Prefeito (que chegou em cadeira de rodas, com a perna ainda imobilizada depois de quebrar o pé na festa de despedida de 2015 na Prefeitura). A sua fala destacou muito bem  a importância de Calero a frente da pasta: “Existem aqueles que são da tribo do cinema, do teatro, de áreas específicas; mas o Marcelo é um secretário que transita muito bem em todas as áreas”. Sim, é verdade, e este é justamente um dos diferenciais do Marcelo Calero à frente de nossa Secretaria. Ele tem conseguido realizar projetos inéditos, ações valiosíssimas, e também sabe dar, como ninguém, continuidade à ótimas ideias de gestões anteriores. Um homem com visão muito ampliada e inteligência cultural rara.

foto 1 - SERRADOR

O secretário municipal de Cultura Marcelo Calero abrindo a noite de reinauguração

A noite começou com a apresentação de Marcelo Calero, que demonstrava enorme satisfação em poder devolver ao Rio um edifício teatral tão histórico. Seu discurso foi bastante preciso e conciso, assim como o do Prefeito Eduardo Paes. Ambos ressaltaram a importância da cultura para a Prefeitura do Rio de Janeiro, em termos numéricos, como os altos investimentos nos programas de fomento e da Lei do ISS, confirmando a cidade do Rio de Janeiro como a que mais investe em cultura em todo o país. Paes foi muito feliz também ao discordar das opiniões que algumas pessoas têm acerca de investimentos vultuosos em cultura, enquanto existem problemas grandes na saúde de nosso estado. Deixou bastante claro que ambos os investimentos são fundamentais para a cidade, e que um orçamento não atrapalha o outro. Dando como exemplo o fato de que o Município encampou dois hospitais do Estado, e que ambos iriam custar em torno de 500 milhões aos cofres municipais.

PJ_Eduardo-Paes-reabertura-teatro-Serrador-no-Rio-de-Janeiro_07012016003

A placa de inauguração foi desvendada pelo Prefeito Eduardo Paes, ao lado de Bibi Ferreira, Brigitte Blair e do secretário Marcelo Calero

Após a placa ser desvendada pelo Prefeito Eduardo Paes, ao lado de Bibi Ferreira, Brigitte Blair e do secretário Marcelo Calero, fomos presenteados com um momento antológico para o teatro nacional: um show protagonizado pela atriz e cantora Bibi Ferreira que voltava a pisar no palco do teatro 74 anos após a sua estreia neste tablado. Foi um momento verdadeiramente histórico podermos assistir a esta grande dama das artes cênicas cantar delicadamente canções de Frank Sinatra e Piaf, em um pequeno show sobre o grande cantor americano. Estiveram presentes também nesta noite a atriz Nathalia Timberg, o diretor Wolf Maia, o carnavalesco Milton Cunha, entre outros, em uma plateia bastante diversificada. Tudo correu muito bem, dentro das possibilidades que a arte pode nos proporcionar, até mesmo em recebermos a visita de um simpático morcego que certamente fez parte da história deste espaço e foi muito bem-vindo em comparecer. Momentos raros, que apenas podem ser proporcionados pela nossa área artística.

bibi (1)

O show Bibi canta Sinatra, levou a grande dama e orquestra, aos palcos do Teatro.

Teatro Municipal Serrador- Sala Brigitte Blair que passa então a fazer parte dos equipamentos culturais da Secretaria Municipal de Cultura, conta com dois elevadores, atualmente com 280 lugares, uma boa infra-estrutura de um teatro tradicional carioca – assim como os antigos Dulcina e Glauce Rocha -, e oferecerá uma programação permanente a partir deste mês. Dois espetáculos entrarão em cartaz na casa, com a ocupação artística da Aquela Cia. No dia 15, estreia a peça “Laio & Crísipo” (peça recomendada pelo Roteiro do Almanaque Virtual), com texto de Pedro Kosovski e direção de Marco André Nunes. No dia 19, será encenado também o espetáculo “Caranguejo Overdrive”, da mesma Cia. O Rio de Janeiro, e o Brasil, agradecem mais uma vez a estas ótimas iniciativas da Prefeitura do Rio e da SMC/RJ, que em tempos de crise no país, e em nosso estado, são um dos nossos principais motivos de orgulho pelos seus bem-sucedidos modelos de gestões. A cidade e o Brasil ganham mais um teatro. E como muito bem disse Fernanda Montenegro, certa vez: “conhecemos um país pelo número de teatros que ele tem”. Esta é a cidade que conhecemos, é a cidade que queremos. Orgulho em ser carioca! Seja muito bem-vindo Teatro Municipal Serrador- Sala Brigitte Blair!