Auê

Ótimo espetáculo de músicas inéditas que dialogam fortemente com a dança-performance, com os instrumentos e o com teatro

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28 de janeiro de 2016

Um furdúncio repleto de musicalidade, uma deliciosa algazarra, uma grande farra de uma trupe vibrante, dinâmica e inventiva, recheada de brasilidade. Ou seja, um divertido e verdadeiro auê. Um espetáculo de música, feita por atores, que cantam, dançam e tocam instrumentos, tudo muito bem sincronizado e preciso! Pungência, eloquência e muita criatividade. Composto por oito artistas, que se multiplicam por personagens em diversas partituras corporais originais, músicas e instrumentos de percussão, sopro e cordas. Mostrando grande versatilidade em uma grande orquestra polifônica de vozes, corpos, sons e expressões. A dramaturgia é toda costurada com as ótimas músicas inéditas, musicadas para tal fim. Um repertório apaixonante, assim como o tema proposto: o amor e todas as suas dores e delícias. Isto é “Auê”.

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Composições orgânicas alimentam esse “Auê”, com atores/cantores/músicos tocando instrumentos nas formas mais inusitadas possíveis.

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Adren Alves – no centro da foto – passa do popular ao erudito, com uma fluidez e uma facilidade impressionantemente bela

“Auê”, criada em processo coletivo com a diretora Duda Maia, e atuado pela Companhia Barca dos Corações Partidos – oriunda das montagens de “Gonzagão – A Lenda” e “Ópera do Malandro” –, apresenta 21 canções autorais e inéditas, compostas pelos atores da Barca (Adren Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Renato Luciano, Ricca Barros), e alguns colaboradores, como o cantor e compositor Moyseis Marques, que protagonizou a “Ópera do Malandro” com eles, e Laila Garin, atriz de “Gonzagão – A Lenda”. As composições foram produzidas nas muitas excursões da trupe e “apresentadas” em ônibus, vans e camarins Brasil afora. A direção de Duda Maia equilibra muito bem os tempos e os espaços da concepção cênica e harmonizando todos os atores/cantores/músicos em cada uma das músicas executadas. Em cada uma delas é explorada a organicidade entre todos os elementos da cena, as ações físicas e partituras corporais, o uso diferenciado e inusitado dos instrumentos, o seu masueio, e as diferentes, e ótimas, formas de tocá-los. Fazendo-se valer de composições, as vezes, facilmente reconhecíveis de todos nós, como ao cantar “Voa Borboleta”, vemos mãos se resignificando em borboletas que voam, isto fica muito delicado quando ampliamos este e alguns gestos de mais fácil assimilação e literalidade, nas 21 canções. Transformando o comum, em novos quadros artísticos. A direção musical e os arranjos assinados por Alfredo Del-Penho e Beto Lemos, que passam por samba de roda, baião, rock, valsa, ijexá, maracatu e coco, são excelentes, muito ricos e bastante originais na composição de instrumentos. A iluminação de Renato Machado seguiu o caminho de explorar mais formas geométricas, e uma luz de efeitos. Ainda que a força de todo o conjunto da Cia apareça com absoluta riqueza e harmonia, podemos destacar a impressionante qualidade e extensão vocal de Adren Alves – que passa do popular ao erudito, com uma fluidez e uma facilidade impressionantemente bela, além da interpretação/atuação de Eduardo Rios, em toda a obra, mas especialmente no delicadíssimo momento de “Doidera de Amor – Cordel”. “Auê” é de fato uma grande farra, uma delícia de ser ouvir e ver. Um trabalho realmente autoral, diferenciado, coberto de talentos, precisões e méritos.

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A força do conjunto da Cia da Barca dos Corações Perdidos é um dos maiores méritos da encenação de Duda Maia.

 

FICHA TÉCNICA

Direção: Duda Maia

Direção musical e arranjos: Alfredo Del-Penho e Beto Lemos

Com: Ádren Alves (Percussão, sax soprano e vocais), Alfredo Del-Penho (Violão, guitarra, baixo, cavaquinho, flauta, percussão e vocais), Beto Lemos (Guitarra, violão, rabeca, sanfona e percussão), Eduardo Rios (Sanfona, sax tenor e vocais), Fabio Enriquez (Trompete, percussão e vocais), Renato Luciano (Violão, trombone e vocais)
Ricca Barros (Baixo, sax alto e vocais)

Músico convidado: Rick de La Torre (Bateria)

Iluminação: Renato Machado

Direção de Arte: Kika Lopes

Direção de produção: Andréa Alves

Diretor assistente: Eduardo Rios

Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno

Produção Executiva: Monna Carneiro

Assistente de iluminação: Rodrigo Maciel

Assistente de direção de Arte: Rocio Moure

Preparação dos instrumentos de sopro: Gilson Santos

Fotografia: Silvana Marques

Programação Visual: Beto Martins e Gabriela Rocha

Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação

 

SERVIÇO

De 7 a 31 de janeiro de 2016

De terça a sábado, às 20h30. Domingos, às 19h.

Espaço Sesc (Arena)

Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana. Tel: 2547-0156.

Ingressos: R$ 5 (associado do Sesc), R$ 10 (meia), R$ 20 (inteira).

Duração: 80 minutos

Classificação etária: 12 anos

Bilheteria: terça a domingo, das 15h às 21h. Vendas antecipadas no local.

 

 

Avaliação Ricardo Schöpke

Nota 4