2019 e Uma Dica de Filme por Dia: A Mentira

Inquisição das fake news em Salem

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06 de janeiro de 2019

2019 e Uma Dica de Filme por Dia concernente à calamidade política do hoje:

O presidente eleito de um país bloqueou nas redes sociais (twitter) seu adversário político da oposição, contra o qual concorreu nas urnas, por sinal, porque não sabe ter um debate amistoso nem virtual nem presencialmente — já que seu padrão de comportamento demonstrou desde o período de campanha eleitoral esquivar-se de toda e qualquer possibilidade de um debate honroso cara a cara. É muito sintomática a demonstração de unilateralidade autoritária que isto simboliza: Não há papo a não ser com quem concorde comigo. E o motivo de desavença se deu justamente porque o Coiso não admite ser desmentido, já que trabalha na base das fake news e diariamente lança notícias e depois volta atrás com base na recepção prévia…

À luz desse descaminho de comunicação, nada mais justo que indicar “A Mentira” filme de 2010 dirigido por Will Gluck com Emma Stone, Malcolm McDowell, Patricia Clarkson, Stanley Tucci.

Levemente inspirado no clássico “A Letra Escarlate” de Nathaniel Hawthorne, livro originalmente publicado nos Estados Unidos em 1850, e que já foi adaptado várias vezes para o cinema, a história original lidava com a paranoia persecutória de uma época tomada pela Inquisição e a rigidez moral-religiosa na cidade de Salem do século XVII, colonizada por puritanos vindos da Inglaterra. Num clima de caça às bruxas, uma jovem mulher é condenada por ter um filho fora do casamento e fica marcada pela tal “letra escarlate” do título como sinal de vergonha e desgraça. No filme “A Mentira” a trama clássica é trazida para o presente, e o que desgraça a vida da protagonista vivida por uma ótima Emma Stone em início de carreira é uma fake news sobre com quem ela teria ou não “ficado”.

Primeiro trabalho de peso que a atriz pôde demonstrar sua verve cômica como protagonista solo, o filme sucedeu o sucesso do filme que a catapultou em primeiro lugar, “Superbad – É Hoje” (2007), mesmo que Emma ainda fosse apenas uma coadjuvante a roubar cenas; e a paródia de filme pós-apocalíptico “Zumbilândia” (2009) — vale dizer que “Zumbilândia” ganhará sequência em 2019!

Em meio ao ataque pesado da atual administração do governo a toda e qualquer oposição principalmente através de fake news e intrigas viralizadas em redes sociais, é importante lembrar de obras como “A Letra Escarlate” que se passaram em período Inquisitório de caça às bruxas, assim como do filme “A Mentira”, que atualiza a perseguição para o presente e com uso das redes sociais.

Bônus: Por falar em “A Letra Escarlate” outra obra também já adaptada inúmeras vezes para o cinema e denunciando este mesmo teor de paranoia persecutória que a extrema direita nazi-fascista costuma estimular e se beneficiar é a peça “As Bruxas de Salem” originalmente escrita por Arthur Miller (baseada em um caso real histórico), e cuja adaptação para as telonas mais lembrada é a versão homônima dirigida por Nicholas Hytner.

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