22° Mostra Tiradentes: Debate de Inferninho

Filme é libelode arte e cultura para o momento cultural do Ceará

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23 de janeiro de 2019

Temos a presença do ator Rafael Martins que interpreta o “Coelho” responsável pela famosa cena do “monólogo do Coelho” como já ficou conhecido. Debate sobre o filme “Inferninho” de Guto Parente e Pedro Diógenes na 22° @mostratiradentes

Com a presença do próprio Guto Parente, do ator Rafael Martins (da companhia teatral Bagaceira) e a produtora Carol Louise. Mediação por parte da curadora Lila Foster e convidado especial João Dumans.

Por falar em teatro no cinema devido à linguagem de “Inferninho” e de outros filmes na seleção do Festival com esta interseção, João Dumans faz um parênteses elogiando “Vaga Carne” de Grace Passô e diz que quando viu a peça há 2 anos atrás, entendeu que o que Grace está fazendo em termos de investigação da dramaturgia se encontra anos luz à frente do que todos nós estamos fazendo.

João também fala que “Inferninho” é uma ótima entrada na comédia nos cinemas e que pode disputar de forma popular (mesmo que abrace o melodrama no final, algo no desespero entre amar ou morrer), mesmo diante de um cenário que a Globo dominou e fez grilagem de mais uma área e que precisamos reconquistar.

Guto Parente cita frase que leu em reportagem no El País: “Sem empatia vem o descuido, ou na pior das hipóteses a selvageria.”

Sobre humor autodepreciativo, o ator Rafael Martins fala sobre a referência de Macabeia (Clarice Linspector) e da própria realidade do teatro e das companhias que sofrem com falta de investimentos e podem ser ameaçadas de acabar a qualquer momento…, ainda mais nos tempos de hoje. E eles usam isso a favor da dramaturgia.

Guto Parente acrescenta que a tradição da autodepreciação dentro do humor cearense é uma tradição, era uma defesa de rir de si mesmo antes de outros rirem. Existe essa tradição mundial. Ressalta ainda que até o humor cearense se perdeu um pouco, como a invasão das terminologias americanas ate em show de beira de estrada lá, como os “stand-up comedy” ou “comedy show”.

Rafael retoma a falar da dramaturgia e acha interessante a linguagem do cinema que possibilitou uma alternância entre cenas de mais impacto/violento e depois algo mais suave… enquanto que sua companhia teatral trabalha de forma mais fracionada, expandida. Mas tentaram afastar essa distinção feita entre ator de teatro e ator de cinema.

Confira trechos em vídeo:

Fala de João Dumans:

Fala de Guto e equipe sobre a ameaça de especulação imobiliária que assola o Ceará e repercute em remoções: