Mogli, O Musical

Com uma roupagem aparentemente sofisticada, em poucos minutos vemos o desastre que é o projeto

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03 de setembro de 2016

Apresentado-se no Teatro do Imperator, no Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro, “Mogli, O Musical”, com texto e direção de Matheus Brito é um dos grandes desastres da atual temporada do teatro infantil carioca. Uma verdadeira aula de como não se deve fazer teatro infantil em qualquer pedaço deste planeta. Usando como pano de fundo a ótima história de Moglli – a peça é inspirada no texto “O Livro da Selva”, do autor inglês Rudyard Kipling, que retrata a divertida história de um menino de 12 anos que precisa ser aceito por todos os animais da selva. Mogli e seus amigos saem em uma jornada rumo à aldeia de homens em busca da flor vermelha, a única coisa que pode protegê-lo de Sherikan. Mas, o caminho é longo e apresenta diversos desafios: a trupe terá que passar por um bando de macacos, uma manada de elefantes e um jacaré faminto. O que vemos em cena é um show de boate gay. Absolutamente nada contra a qualquer uma manifestação LGBTT, o que vemos em cena, nada diz respeito a uma posição ou postura de gêneros- o que seria muito bem-vindo-, mas sim, uma carnavalização e esculhambação da sexualidade, com as piores caricaturas e esteriótipos do que poderia ser um homossexual, com trejeitos exagerados, gritos, e um desfile de afetações nas personagens do tigre, do escudeiro e da cobra. Um dos fatos surreais, é a manipulação da Cobra, feita por duas pessoas, onde a sua boca e fala principal é realizada em um tom contido por seu intérprete, e o seu rabo – o que este código pretende simbolizar (!!????) – é realizada por um performer de show de caricatas.

Mogli

Com uma roupagem aparentemente sofisticada, em poucos minutos vemos o desastre que é o projeto: “Mogli, O Musical”.

Um texto adaptado por Matheus Brito altamente remendado com pseudos toques de modernização, ao acrescentar comentários excessivos sobre internet, you tube, política, frases feitas e tais. Onde as letras de músicas também de Matheus Brito, que procuraram ser textos da narrativa, são de um pobreza franciscana. De letras, de músicas, de arranjos de Eduardo Louzada e Vinícius Rodrigues. A direção de Matheus Brito faz da peça um show de muito mau gosto, e utilizando da pior maneira possível o arsenal de luzes do Imperator, como uma ideia de luz desastrosa de Ricardo Viana, com o uso excessivo de moving lights que saem de todos os lados, para todos os ângulos, sem dizer nada ou coisa nenhuma! Além da fazer uso de ribaltas viradas para a plateia (!!!!?????), e pondo os refletores para “dançarem” no chão do teatro. Um horror, sem precedentes na história do teatro. O mesmo acontecendo com o péssimo figurino de Wanderley Nascimento, onde o tigre usa um roupão (!!!??) de tigre. (!!!???), e todas as roupas são de muito mau gosto e nenhum conceito artístico. As atuações são sofríveis, tatibitates, para frente, artificiais, onde os atores – Caio Nery, Isabele Riccart, Erick de Luca, Alex Felippe, Gustavo Genton, Wemmy Morgado, Lucas Baptista, Maicon Lima, Marcos Gonçalves e Rennato Cinelli –  ficam pedindo palmas e fazendo perguntas de “sim” e “não”-, e misturando teatro com a pior animação de festas do mundo.

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A única atuação mediana – e que se salva na “peça” , é a do menino que interpreta Mogli: Alex Fellppe

Um projeto que desrespeita tudo: o texto, o clássico, as crianças, os LGBTT e a nossa inteligência. Recheado de equívocos e de total falta de respeito à arte e aos gêneros! Inqualificável!!!

Ficha Técnica:

Trilha sonora original, com 12 músicas de Matheus Brito

Texto e Direção: Matheus Brito

Assistência de direção: Matheus Castro

Coreografias: Larissa Landim

Cenografia e Figurinos: Wanderley Nascimento

Visagismo: Marcio Louza

Cenotécnica: Carlos Elias

Iluminação: Ricardo Viana

Fotografia: Marcela Dias

Projeção: Flavia Felinto e Diogo Rodrigo

Designer Gráfico: Matheus Castro e Lucas Huguenin

Direção musical e Preparação vocal: Ledjane Motta

Arranjos: Eduardo Louzada e Vinícius Rodrigues

Elenco: Caio Nery, Isabele Riccart, Erick de Luca, Alex Felippe, Gustavo Genton, Wemmy Morgado, Lucas Baptista, Maicon Lima, Marcos Gonçalves e Rennato Cinelli

Equipe de Figurino: Iramar Alves Cruz, Ilza Fidelis, Ana Cláudia Alves, Rosa Maria Santana Santos, Lucas Francisco, Adriano Camargo, Diva De Freitas Diniz, Vanessa Diolinda Cardoso e Joelson André

Equipe de Cenário e Adereços: Louis Cavalcanthé, Vaneo Wessler, Sizinho, Vilma Macedo, Bárbara M Almeida, Manoel Antonio, Luiz Cláudio Carvalho, Valeria Chaves, Marcelo Machado e Maria Aida

Produção: Alex Felippe

Realização: Arlequim Produções

Assessoria de Imprensa: Viviane Cabral

SERVIÇO:

Mogli, O Musical

Local: Imperator – Centro Cultural João Nogueira (R. Dias da Cruz, 170 – Méier)

Telefone: (21) 2597-3897

Dias e horários: sábado e domingo, às 16h

Preço: Balcão – R$10 (meia) e R$20 (inteira) / Plateia – R$15 (meia) e R$30 (inteira);

Lotação do teatro: 724 lugares

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: livre

Funcionamento da bilheteria: Terça e quarta, das 13h às 20h; Quinta e sexta, das 13h às 21h30; Sábado, das 10h às 21h30; Domingo, das 10h às 19h30

Ingressos à venda: https://www.ingressorapido.com.br/local.aspx?ID=4924

Temporada: de 13 a 28 de agosto, 2016

Avaliação Ricardo Schöpke

Nota 1
  • Vera Araujo

    A crítica – no caso O crítico – está malhando de forma cruel e injusta. Já o público, que lotou sessões e rendeu o sucesso de bilheteria – adorou.

    Arte é feita para o povo. Que bom que o povo gostou.

  • Brian Monteiro

    Entre essa crítica maldosa e pouco construtiva e a felicidade unânime de crianças cheias de brilho nos olhos, não penso duas vezes no que escolher. Acalme seu coraçãozinho, querido. Se o pior do teatro infantil for esta peça, é sinal de que ainda devemos ter muita esperança na cultura brasileira.

  • Brian Monteiro

    Criticar utilizando argumentos fúteis, incoerentes e com a função de menosprezar/diminuir o espetáculo, é bem feio. 1- Se fosse ruim, o público não seria tão bom e não sairiram encantados. 2- Você não critica outras peças como Gilberto Gil, Gabriela, Garota de Ipanema… Por que? Medo? Pois são megas produções? Por que é um infantil que não está a altura das suas críticas? Pois Mogli O Musical teve uma mega produção usando pouco? O meu recado final é: Estude, assista mais musicais infantis para ter REFERÊNCIAS, e aí sim expor uma crítica. Beijos de luz. Nota 0 para sua crítica.

    CRÍTICA BASEADA EM NADA, OFENSIVA, DESRESPEITOSA E INCOERENTE. #MoglioMusical #NaoaSuasCriticas