Festival de Brasília abre com noite de protestos e viagem ao passado

Filmes da noite de estreia resgatam grandes artistas do passado

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21 de setembro de 2016

cinemanovoA Noite de abertura do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi marcada por protestos e viagem ao passado. Improvável Encontro, do cineasta Lauro Escorel, e Cinema Novo, de Eryk Rocha, foram os filmes hors-concours, ou seja, fora de competição, que marcaram a abertura desta edição do tradicional festival – que vai apresentar nove longas-metragens e 12 curtas ou médias-metragens na Mostra Competitiva. Além de outros filmes em mostras paralelas e sessões especiais.

Ambos os filmes tem semelhanças: uma viagem ao passado, resgatando a obra de grande artistas e um apreço por imagens somadas a um belo trabalho de pesquisa.

thomaz_farkas_f_012A solenidade de abertura do festival não contou com a tradicional participação de autoridades da capital federal. O cineasta Lauro Escorel, abriu a noite com seu curta, Improvável Encontro. Escorel explicou a origem da sua obra, dotada de imagens belas e poéticas. “Nasceu de conversas com o grande amigo e crítico José Carlos Avelar. Dedico o filme a ele”. Improvável Encontro foi totalmente realizado sobre fotografias de José Medeiros e Thomaz Farkas. Dois fotógrafos talentosíssimos que tem suas trajetórias narradas, seu encontro, o desenrolar da sua amizade e as influências recíprocas. Através de diálogo entre suas imagens, o documentário nos mostra a contribuição que os jovens José Medeiros e Thomaz Farkas deram para a consolidação da moderna fotografia brasileira, inaugurada nas décadas de 1940/50. Um acervo raro e ainda pouco conhecido nos dias atuais.

Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, ao subir ao palco para apresentar o seu documentário, abriu fogo: “Eternamente Fora, Temer”. O público do festival, que costuma ser o mais politizado do país, engrossou o coro com gritos de “Fora, Temer”.

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foto de Junior Aragão

Eryk ressaltou que o filme é uma homenagem à geração que revolucionou o cinema brasileiro. Também fez referência ao golpe militar de 64, vivido por seu pai e outros diretores da época. Seu documentário lança um olhar sobre a geração de cineastas que foi criada nessa época do cinema novo.

“Hoje tragicamente vivemos um momento grave. Golpe aparecendo de novas formas. Essa sessão vai virar uma grande manifestação”, protestou.

rifleA mostra competitiva começa na noite de hoje, com a exibição de Rifle, do diretor gaúcho, Davi Pretto, sobre um jovem misterioso que vive com uma família em uma região rural e remota. A tranquilidade da região é afetada quando um rico fazendeiro tenta comprar a pequena propriedade na qual o jovem e a família vivem.

sexo-pregacoes-e-politicaNesta quarta, também fora de competição, ocorre a exibição de Sexo, Pregações e Política, na mostraA política no mundo e o mundo da política“. Com direção de direção Aude Chevalier-Beaumel e Michael Gimenez e produção de Patrizia Landi, o documentário mostra a imagem criada e vendida pelo nosso país onde a sexualidade é liberada e a diversidade respeitada. No entanto, este mesmo Brasil se revela um país conservador onde mulheres morrem em decorrência da proibição do aborto e onde há mais assassinatos de homossexuais e transexuais no mundo. Das vítimas até a esfera política, o filme propõe um olhar afiado sobre o paradoxo da liberdade sexual.

Produções de todas as regiões do Brasil vão disputar o Troféu Candango e prêmios no valor total de R$ 340 mil. Já a Mostra Brasília exibirá seis curtas e médias-metragens e seis longas que vão concorrer a R$ 200 mil em prêmios.

O festival acontece até o próximo dia 28, com entradas gratuitas para o público. No encerramento, será exibido o filme Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, para celebrar os 20 anos da produção e a retomada do cinema pernambucano.