Longa sobre a luta indígena marcou a noite do Festival de Brasília

O diretor Vincent Carelli faz um retrato do genocídio contemporâneo

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23 de setembro de 2016

52df84e5-69ca-477f-a781-c67228a024c2A segunda noite de competição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro contou com Martírio, de Vincent Carelli. Obra relevante que apresenta a visão do seu diretor da luta indígena com mudanças no país e que não poderia encontrar melhor plateia do que essa da capital.

Segundo filme de uma trilogia ainda em andamento (o primeiro foi Corumbiara), Martírio é fruto do trabalho investigativo e documental de Vincent Carelli, que também é indigenista, pesquisador e criador do projeto Vídeo nas Aldeias. O Brasil vive uma guerra e não sabe, de acordo com Vincent, que afirma que a matança de índios Guarani Kaiowas é um genocídio contemporâneo. Esse drama retrata a luta dos índios, no Mato Grosso do Sul, para ficarem em seu território.

22-009-2016_martirio_longa_cred-junior-aragao-5Apesar de contar com dinheiro público, Martírio precisou recorrer a crowdfunding e foi finalizado em um momento que a questão do povo Guarani Kaiowá estava em evidência nas redes sociais. O diretor ressalta que o crowdfunding teve um lado importante além de apenas arrecadar fundos, que foi o de criar uma rede de pessoas interessadas na questão.

O diretor busca com esse filme resgatar a gênese desse conflito, que remonta ao século 19 e à Guerra do Paraguai – atravessando todo o contexto histórico do país até os dias atuais. “Adeus, Capitão”, deve ser o capítulo final da trilogia.

22-09-2016_festival-bsb-2016_cred-junior-aragao-4A noite de ontem ainda contou com a exibição de A Destruição de Bernardet, de Claudia Priscilla e Pedro Marques, em sessão especial do Festival. Misto de documentário com toques de ficção, a produção retrata o professor (um dos primeiros da UNB), crítico e ator Jean-Claude Bernardet. Ele também será homenageado com a medalha Paulo Emílio Salles Gomes, no próximo dia 27.

A noite de hoje terá em competição Solon, de Clarissa Campolina; O Último Trago, de Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti; Constelações, de Maurílio Martins, e a coprodução com Portugal, A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha.