Atrizes brilham em A Cidade Onde Envelheço

Coprodução com Portugal é uma crônica urbana sobre viver longe do seu país

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24 de setembro de 2016

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A Crônica urbana A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha, uma coprodução com Portugal, foi o destaque da noite de ontem no Festival de Brasília. Bebendo na fonte da ficção documental, a produção mostra a amizade entre duas portuguesas que se fixam em Belo Horizonte, mas mantém saudades e uma nostalgia de Lisboa.

A grande força de A Cidade Onde Envelheço vem das duas atrizes que protagonizam o filme. Difícil imaginar escolhas mais acertadas para o papel. Ainda mais quando se descobre que a diretora já conhecia a atriz Francisca Manuel, que tinha residência temporária em BH. É provável que as atrizes saiam do Festival de Cinema de Brasília sem alguma premiação.

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A produção que tem roteiro de Thais Fujinaga, João Dumans e da diretora Marília Rocha faz uso de sutilezas, do olhar de fora, de quem não pertence ao local (caso de Marília que foi de Goiânia pra Belo Horizonte e da portuguesa Francisca). Em cena, vemos a dificuldade da estrangeira em entender a folga das pessoas, como o constante hábito de se pedir cigarro, ou o desleixo das pessoas que oferecem um apartamento para alugar.

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Marília foca sua lente nas constantes mudanças da juventude e num rito de passagem: o amadurecimento na faixa dos 30. Ao escolher retratar a vida de duas portuguesas. A diretora faz uma visão acertada para sua obra. Apesar das semelhanças entre Brasil e Portugal, existe uma diferença entre viver em um país diferente. O contraste e a riqueza de estabelecer esse elo entre uma nação de colonizadores e colonizados dão mais camadas e questões A Cidade Onde Envelheço.

O roteiro apresenta a chegada de Teresa (Elizabete Francisca) ao Brasil. Ela é leve, divertida, agitada. Gosta de festas e de fazer amizades. Enquanto sua amiga Francisca (Francisca Manuel) tem uma vida mais adaptada ao país. Trabalha num restaurante português e é mais séria. Entretanto, as duas sentem saudades de Lisboa, do mar, dos amigos. A dramaturgia encontra força na espontaneidade, no retrato do cotidiano das protagonistas, que permite uma conexão como se estivéssemos assistindo a vida de amigos. E conforme o tempo passa, vamos testemunhando o laço que se fortalece entre Teresa e Francisca.

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O filme mostra as amigas e estrangeiras, que vieram para o Brasil no momento em que Portugal enfrentava uma crise e as oportunidades no estrangeiro pareciam ser o melhor caminho, ou pelo menos, uma solução temporária. Para elas, a antiga colônia era um paraíso idealizado. A diretora cria um mapa imaginário onde Lisboa e Belo Horizonte estão muito próximas e parte do brilho de A Cidade Onde Envelheço reside aí.