Guns N’ Roses: Slash domina o show do Rio

Apresentação aconteceu na noite da última terça-feira, dia 15, no Engenhão.

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16 de novembro de 2016

Na noite da última terça-feira, dia 15, o Guns N’ Roses levou o público carioca ao delírio no Estádio Nilton Santos, popularmente conhecido como Engenhão, no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio de Janeiro. O motivo para tanta euforia não foi justificado somente pelo setlist repleto de clássicos, mas por se tratar da reunião de Axl Rose, Slash e Duff McKagan após um hiato de 23 anos que teve direito a muitas trocas de farpas e promessas de que o público nunca mais veria a formação clássica da banda sobre o mesmo palco, algo que se refletiu na pouquíssima interação entre os integrantes, sobretudo em relação à Axl Rose.

Slash, Axl Rose e Duff McKagan no Rio (Foto: Ana Carolina Garcia / Almanaque Virtual).

Slash, Axl Rose e Duff McKagan no Rio (Foto: Ana Carolina Garcia / Almanaque Virtual).

Ironicamente, o nome escolhido para a reunião do grupo foi “Not In This Lifetime”, uma turnê de ingressos esgotados por onde passa e que oferece ao público uma nostálgica viagem à época em que Axl Rose era sex-symbol e levava a plateia feminina à loucura. Fato é que o tempo passou e o hoje cinquentão vocalista não tem mais a energia da fase em que corria pelo palco com bandana na cabeça e shortinho bem justo com a bandeira americana estampada. Apesar disso, sua potência vocal permanece quase intacta, mas foi prejudicada pela qualidade do som no Engenhão, que não tinha a nitidez exigida/merecida tanto pela banda quanto pelo público.

Se a voz de Axl Rose sofreu com a qualidade do som, o mesmo não pode ser dito sobre as performances dos outros integrantes da banda, especialmente Duff McKagan e Slash, cada vez mais poderoso em sua guitarra, mostrando que quem realmente manda no palco é ele, pois dominou toda a apresentação com a mesma facilidade com a qual um adulto rouba um pirulito de criança. Não é exagero algum afirmar que ele protagonizou este retorno da formação clássica do Guns N’ Roses ao Rio de Janeiro, pois não foram poucos os momentos em que o público o admirou atônito. Um deles foi durante a performance arrasadora do tema de “O Poderoso Chefão” (The Godfather), que precedeu “Sweet Child O’ Mine”, canção acompanhada em uníssono.

Com um repertório mais pesado e com menos de 20 minutos de atraso, pontualidade quase britânica se considerarmos o histórico da banda, o Guns N’ Roses não obteve uma resposta tão calorosa da plateia em algumas poucas canções. Contudo, soube conquista-la como nos velhos tempos, principalmente ao tocar seus hits – a primeira grande explosão do público aconteceu na quarta música, “Welcome to the Jungle”, um dos grandes clássicos de uma apresentação que contou ainda com “You Could Be Mine”, “November Rain”, “Don’t Cry”, “Paradise City”, a já citada “Sweet Child O’ Mine” e os covers de “Live and Let Die” e “Knockin’ On Heaven’s Door”, de Paul McCartney e Bob Dylan, respectivamente.

Ovacionado pela plateia, o Guns N’ Roses reafirmou a força do velho rock and roll na terra do samba e, acima de tudo, mostrou aos seus fãs que, apesar dos problemas do passado, ainda há magia e vigor num palco dividido por Axl Rose, Slash e Duff McKagan, que contam com a companhia de músicos igualmente talentosos na “Not In This Lifetime Tour”.

* Os próximos shows da etapa brasileira serão em Curitiba (dia 17, na Pedreira Paulo Leminski) e Brasília (dia 20, no Estádio Nacional).