O Sítio do Objetos

Delicadeza, aliada a competência faz deste “Sítio” uma animação obrigatória de se ver e de sentir

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29 de novembro de 2016

O teatro de animação tem diferentes formatos, conceitos e estéticas, e isto o torna muito próximo do mágico, do onírico. Através dele somos transportados para diversos mundos inusitados, que povoam o nosso imaginário. “O Sítio dos Objetos”, da doce Mariza Basso Produções, nos transporta para um tempo e espaço altamente sensível e delicado: nasce o sol e o galo canta sua alegre canção matutina. Luvas, garfos, leques, espremedores de frutas, funis, tomadas, copos, chupetas, potes, espátulas, escorredores de arroz e muitos outros utensílios domésticos transformam-se em divertidos personagens rurais que desfilam em cômicas situações. Em meio a duelos e emocionantes conflitos, homem e natureza provam que é possível se viver em harmonia nesse encantado “Sítio dos Objetos”. Primeiramente por tratar da relação entre o homem, a natureza e os animais. Através de uns ricos, bem manipulados e delicados objetos como esfregões, vassouras, metro, ente outros. Vemos a resignificação destes objetos, que ora nus ou ora com o acréscimo de pequenos outros objetos, com o intuito de significar um olho, uma boca ou nariz, ou mesmo a interferência de um outro objeto, como a tesoura ou a faça olfa, a cortar e abrir fendas e buracos, a nos faz aproximar das formas reconhecíeis, ou apenas os seus formatos, por si só (como uma lâmpada acesa e redonda) já é uma lua em sua essência, desde que acrescida de um contexto artístico que a remeta para este universo encantado.

A delicadeza no manipular e na construção de cada um dos objetos animados, é um dos maiores encantamentos da peça.

A delicadeza no manipular e na construção de cada um dos objetos animados, é um dos maiores encantamentos da peça.

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É impressionante a resignificação dos objetos, onde potes, copos, tomadas e afins, viram porcos e seus filhotes.

Além da poesia existente, temos também momentos surpreendentes e sublimes, como o do sol ao ser acordado, se espreguiçar através de seus raios, como também, um metro que é manipulado diante de nossos olhos e se transforma no melhor amigo do homem – o cachorro -, em casa, cercadinhos e pássaros. Contada, ao vivo, em poucas palavras e interjeições, em um tempo diferenciado do campo e das coisas essenciais à vida, somos levados à reflexão sobre a relação de harmonia entre todos os seres que habitam o nosso universo. O que nos preenche de paz, tranquilidade e encantamento. Com aparente simplicidade, e uma trilha sonora, contínua e harmônica, “O Sítio dos Objetos” nos preenche a alma e o coração/cérebro de arte plena e satisfação, por exaltar com respeito, e beleza, a vida campestre.

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Todos os animais criados em objetos valorizam a concepção cênica de um ambiente bucólico e campestre.

 


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