Sobrevoar- A História de Santos Dumont na Figura do Menino Albertinho

Cia do Abração realiza uma apresentação apaixonada no 9o FENATIFS

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01 de dezembro de 2016

A Cia do Abração é uma das cias mais atuantes do nosso país. Sediada em um bonito e funcional espaço em Curitiba/Paraná; eles levam uma vida de grande efervescência e produtividade artística. Poucos vezes vi uma Cia com um número tão grande de repertório e que se apresentam, quase que todos os dias, em algum lugar do Brasil, perto de você. No 9o FENATIFS a Cia trouxe o seu espetáculo infantil Sobrevoar – A História de Santos Dumont na Figura do Menino Albertinho. A peça aborda a história de Santos Dumont como a criança, não aquela de sua infância datada no final do século 19, mas aquela atemporal, que sonha, persiste e realiza. Uma história de descoberta do “eu” que busca ser livre à revelia das convenções sociais. Personagens que compreendem a magnitude do risco de alçar voôs, sem pensar em limites. Vencer os obstáculos impostos pelo espaço. Esta é a inspiração que nos fornece Santos Dumont. As quedas sofridas durante a sua trajetória, na busca das conquistas de seus experimentos arenonáuticos, são o fio condutor do roteiro desenvolvido, em criação coletiva com atores e equipe. Método que a Cia desenvolve em todas as suas produções. No espetáculo, quatro personagens, com espírito de criança, habitam um espaço imaginário e atemporal, um lugar onde todas as brincadeiras e experimentos co-habitam. Um espaço onde os sonhos se tornam possíveis, que interliga céu e terra, um ismo entre o sonho e sua realização.

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Todo sonho é possível. Todo o vôo é possível! “Sobrevoar- A História de Santos Dumont na Figura do Menino Albertinho”

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De um quarto se dão as partidas à todos os sonhos.

Assim é Sobrevoar – A História de Santos Dumont na Figura do Menino Albertinho”, um espetáculo com uma originalidade especial, onde atores se multiplicam em textos, em personagens, em ações e gestos. Onde um grande mecanismo é acionado para contar toda a história coberta de simbolismos, metáforas e delicadezas de alma. Fazendo-se valer de diversos adereços e uma pequena cenografia do seu quarto – que abarca todo o universo de seus sonhos -, onde cada um dos objetos possui o seu valor e os novos valores resignificados. Nada é o que aparenta ser, tudo pode ser algo, e algo pode ser tudo. Agora, depois ou ao mesmo tempo. Travesseiros, colchas, bancos, estantes e pantufas. A imaginação voa, assim como quer voar a personagem principal de peça. Tudo isso conduzido pela direção de Letícia Guimarães, a partir de uma dramaturgia elaborada, em criação colaborativa, entre os atores. O espetáculo apresenta a busca deste menino em conseguir realizar o seu sonho, com erros e acertos vimos diante de nossos olhos a vida ser vivida. Uma ideia nobre ser construída, com muito esforço, com trabalho árduo e muita fisicalidade. Fazendo-se valer também de vários recursos de animação, como manipulação de objetos e sombras, com muita poesia, estética e plasticidade. Todos os elementos contribuem para a ótima realização do espetáculo, especialmente a poética música de Karla Izidro, que atinge a crianças de todas as idades.

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E tudo se significa a partir daí.

Na apresentação do 9º FENATIFS, apesar de algumas imprecisões em sua execução, os atores (Simão Cunha, Edgard Assumpção, Kamilla Ferrazzi e Juliana Cordeiro) tiveram um desempenho repleto de entrega e amor ao seu ofício, e conseguindo driblar as inúmeras viagens e as novas substituições do espetáculo, movendo-se como um grupo forte, guerreiro e uníssono. E o que é a arte do teatro, senão a verdade, a paixão e a fé cênica dos atores? E paixão é um ingrediente que não falta na Cia do Abração! Ela tem de sobra!


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