Rocky Horror Show continua imune ao tempo

Musical que homenageia os filmes B ganha nova montagem em SP

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01 de dezembro de 2016

the-rocky-horror-show-001O clássico musical Rocky Horror Show ganhou nova montagem no Brasil. Desta vez, com direção da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, e tendo a frente o ator Marcelo Médici, que não atuava em musicais desde “Sweet Charity”, em 2006.

rocky-horror9259Criado por Richard O’Brien em 1973, o espetáculo que faz uma homenagem aos filmes B, ou seja,  produções de baixo orçamento de mistério, terror, ficção científica e romance. Virou quase que instantaneamente um sucesso e um fenômeno da cultura pop. Na montagem original trazia o autor como o corcunda Riff Raff e Tim Curry como o transexual alienígena Dr. Frank-N-Furter. Em pouco tempo ganhou uma versão com quase todo o elenco original e que trazia Susan Sarandon em um dos seus primeiros papeis como Janet. No Brasil, teve direção de Rubens Corrêa com Wolf Maya e Lucélia Santos, em 1975. E uma nova montagem em 1994, no Teatro do Leblon, com direção de Jorge Fernando e que trazia Claudia Ohana, Léo Jaime, Marcelo Novaes (como Rocky) e Tuca Andrada (como Frank). Esta montagem trouxe os elementos que fizeram de Rocky Horror Show um cult, tinha sessões da meia-noite, pessoas fantasiadas como as personagens e interação (prática comum nas inúmeras sessões da meia-noite que aconteceram e ainda acontecem mundo afora). Foi uma montagem marcante para este que aqui escreve e vista seis vezes nessa temporada. Recentemente o canal FOX estadunidense, que vem apresentando versões de musicais consagrados (Grease já havia sido exibido) colocou no ar neste semestre uma apresentação de Rocky Horror Show com a atriz transexual Laverne Cox (“Orange Is The New Black”) e Victoria Justice, ex-estrela adolescente de “Brilhante Vitória”.

the-rocky-horror-show-002O espetáculo em cartaz no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, em curta temporada, segue fielmente o musical. Os elementos estão todos lá, com uma adaptação ou outra no texto – nada realmente comprometedor. Apenas sinais dos tempos, liberdades necessárias em qualquer montagem ou adaptação. As músicas que tem uma influência do rockabilly e baladas e parecem simples, mas tem muitas sutilezas nos arranjos musicais de Richard Hartley, estão bem traduzidas e orquestradas graças a direção de Jorge de Godoy e supervisão musical de Claudio Botelho.

foto-marcos-mesquita-29A trama tem um toque de conto de fadas: um casal de puritanos tem um acidente na estrada e vai parar num castelo onde encontram uma “serpente” Frank que os seduz a dupla virginal e os faz lidar com o desejo. Claro que Frank sendo um cientista louco, meio-homem e meio-mulher, que criou a criatura dos seus sonhos (numa clara referência a Frankstein), “Rocky”, numa visão de Deus Grego faz toda a diferença para o show.

the-rocky-horror-showMarcelo Medici tem a difícil tarefa de incorporar Frank-N-Furter. Interpreta bem seu papel, mas fica aquém das interpretações inesquecíveis de Tim Curry e Tuca Andrada. Bruna Guerin, que já havia brilhado em “Urinal, O Musical”, volta com uma atuação magistral como a mocinha Janet. Um verdadeiro prazer vê-la em cena. Felipe De Carolis (Brad) e Felipe Mafra (Rocky) também se saem muito bem. Nicola Lama brilha mais como Eddie do que como o Dr. Scott. E surpreende a linguagem corporal de Vanessa Costa e Thiago Garça.

3v6a8412Rocky Horror Show é o tipo de musical que não envelhece, é sempre um deleite, imune ao tempo e capaz de manter uma eterna magia de entreter e seduzir. E poucos são capazes de uma fórmula como essa. Um musical imperdível.