O Bosque Noturno traz a marca da crueldade humana de Neil LaBute

Ambiguidade, humor negro e sarcasmo dão o tom na montagem dirigida por Otávio Martins

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23 de março de 2017

ObosqueSoturno 000O dramaturgo e cineasta Neil LaBute tem sua obra marcada pelo humor negro, crueldade humana e um olhar apurado para relacionamentos. Todos esses elementos podem ser vistos em O Bosque Soturno, montagem em cartaz no Teatro Eva Herz, em São Paulo.

ObosqueSoturno 002O autor tem uma capacidade de criar personagens repugnantes e reais, que já se destacavam em Na Companhia de Homens (texto seu que virou filme em 96), e que mais uma vez marcam presença através dos irmãos Bobby (Pedro Bosnich) e Betty (Guta Ruiz), que protagonizam O Bosque Soturno. Os dois se encontram numa cabana no meio de um bosque, durante uma tempestade.

ObosqueSoturno 003O encontro serve para que o dramaturgo exerça sua capacidade de manipular a verdade para a plateia, fazendo com que se crie uma ambiguidade que dura toda a peça. O jogo de aparências começa com Betty, intelectual liberal de uma faculdade, que recebe o irmão Bobby, um carpinteiro. Donos de personalidades diferentes e reunidos para empacotarem os objetos deixados por um ex-inquilino na cabana, o jogo vai ganhando contornos e nuances, alternando posições, que começam quando Bobby descobre uma foto de Betty com o inquilino, que insinua mais do que ele poderia esperar.

ObosqueSoturno 004O confronto entre o lado intelectual e o trabalhador traz traumas e segredos, como a doentia obsessão de Bobby pela irmã. LaBute continua o moralista que tem fascínio pela crueldade humana. Seu texto esmiúça a intimidade e violência. O grande mérito do texto de LaBute é manter uma montanha-russa constante que garante a ambiguidade que impulsiona a dramaturgia. Betty nunca é retratada como uma mentirosa contumaz, o que mantém sua personagem forte. Um ponto forte da montagem, é a iluminação que nunca é clara, não revela totalmente o cenário, e ajuda a manter o clima de segredo que existe entre os irmãos. Uma escolha sábia da direção de Otávio Martins, que também foi extremamente feliz na seleção dos seus atores. Guta brilha como Betty.

O BOSQUE SOTURNO

Onde: Teatro Eva Herz. Avenida Paulista, 2073, Livraria Cultura – Conjunto Nacional. (tel.: 3170-4059)

Quando: Quintas e sextas, 21h.

Quanto: R$ 40

Duração: 60 minutos

Classificação etária: 16 anos