Cena Brasil Internacional

Tadashi Endo, que celebra 70 anos de vida, é homenageado com uma mostra de três solos de diferentes etapas de sua trajetória artística

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28 de maio de 2017

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Tadashi Endo, que celebra 70 anos de vida, é homenageado com uma mostra de três solos de diferentes etapas de sua trajetória artística.

O Festival Cena Brasil Internacional tem sua sexta edição programada para o período de 31 de maio a 11 de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil e na Praça dos Correios, no Rio de Janeiro. Com espetáculos de teatro e dança, a mostra apresenta dez atrações no total, sendo de quatro companhias brasileiras e quatro estrangeiras, de três países: Alemanha, Itália e Japão. Com peças a preços populares (R$ 20 e R$ 10) e gratuitas, a programação internacional conta com legendas eletrônicas em português. O Cena Brasil também ocupa a área externa do CCBB (entrada lateral), em um espaço de convivência com food trucks, mesas e cadeiras. O Banco do Brasil é o patrocinador do Cena Brasil Internacional.

Idealizador e diretor do Cena Brasil, o produtor Sérgio Saboya assina a curadoria em parceria com o jornalista, diretor e dramaturgo Luiz Felipe Reis. “Vamos fazer uma homenagem aos 70 anos do bailarino e coreógrafo japonês Tadashi Endo e sua estreita relação com o Brasil. Serão três espetáculos dele, sendo um inédito no país e outro no Rio”, conta Saboya, que reforça o compromisso do Cena Brasil em promover o intercâmbio entre artistas brasileiros e estrangeiros desde a sua primeira edição. “Os grupos têm oportunidade de compartilhar seus processos criativos e artísticos durante todo o festival”, lembra o idealizador.

“Em 2012, percebemos a ausência de um festival internacional de artes cênicas no calendário cultural carioca e, a fim de preencher essa lacuna, selecionamos o projeto Cena Brasil Internacional. É com satisfação que vimos o projeto tomar forma, conquistar o público, com o diferencial de promover o intercâmbio entre companhias de teatro nacionais e estrangeiras, por meio de residências, oficinas e ocupações de espaços alternativos”, diz Fábio Cunha, Gerente Geral do CCBB.

“O festival, em 2017, dá especial atenção ao trabalho autoral de artistas com longas e sólidas trajetórias, como o Tadashi Endo, que celebra 70 anos de vida com uma mostra de três solos reveladores de diferentes etapas de sua trajetória artística”, diz o curador Luiz Felipe Reis. “Dentro desse recorte, o festival destaca o trabalho realizado por diferentes artistas mulheres, como as italianas Claudia Castellucci e Lucia Calamaro, da alemã Sibylle Berg, além das brasileiras Debora Lamm e Veronica Debom. Essas atrações internacionais são nomes bastante reconhecidos em seus países, por seus trabalhos contínuos de pesquisa, e construíram um corpo de trabalho que merece ser conhecido e assistido pelo público brasileiro. São escolhas que fortalecem a representatividade das mulheres em festivais, assim como buscam apresentar suas contundentes perspectivas estéticas e éticas, ou seja: o modo como expandem as possibilidades do fazer teatral e a forma aguda como refletem criticamente sobre a vida da mulher no contemporâneo e sobre as ações e reflexões de uma nova geração de mulheres feministas”, conta Luiz Felipe Reis.

O Cena Brasil Internacional programou quatro atrações internacionais, com espetáculos inéditos no Brasil (Maboroshi, Verso La Specie e La Vita Ferma: Sguardi sul Dolore del Ricordo) e inéditos no Rio (Fukushima Mon Amour, MA e The So-Called Outside Means Nothing to Me).

Em 2017, Tadashi Endo completa 70 anos de vida e 15 de uma relação afetiva com o Brasil. O bailarino, coreógrafo e diretor japonês tem a morte como principal tema de suas obras. Como é a face da morte? O que vem depois dela? São esses os questionamentos do artista, que teve como mestre um dos maiores nomes do butô, Kazuo Ohno (1906-2010). No Cena Brasil Internacional, Tadashi apresenta um panorama do seu trabalho com três solos.

Inédito no país, Maboroshi (2017), seu mais novo espetáculo, estreou em janeiro, na Alemanha. Em japonês, maboroshi significa “seres sem forma”. Com seus movimentos, o mestre do butô tenta fazer visível o invisível.

Fukushima Mon Amour (2012) foi criado a partir do choque do dançarino com os horrores sofridos pelo tsunami e o acidente atômico ocorridos em Fukushima, no Japão, em 2011. O nome – uma referência ao filme Hiroshima Mon Amour (1959), de Alain Resnais – foi escolhido para lembrar também as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Com trilha sonora original composta pelo músico brasileiro Daniel Maia, Tadasahi interpreta a dor dessas tragédias e a esperança da reconstrução.

 O terceiro trabalho programado é MA (1991) – o símbolo do espaço entre as coisas –, primeiro solo da sua carreira. A vida de Tadashi transita na fronteira entre dois mundos: Japão e Europa. Dessa forma, este trabalho é um olhar transcendente do mundo exterior para o mundo interior do coreógrafo e intérprete. As raízes do seu trabalho estão arraigadas às tradições japonesas, embora tenha iniciado a sua vida artística na Europa.

Da Itália, a coreógrafa, diretora e pesquisadora Claudia Castellucci – fundadora da companhia de teatro experimental Socìetas Raffaello Sanzio (hoje chamada Socìetas) no início dos anos 1980, com Romeo Castellucci e Chiara Guidi – apresenta Verso La Specie, cuja criação teve início há três anos, no centro de dança e pesquisa Isadora & Raymond Duncan, em Atenas. Inédita no Brasil, a performance estreou na Bienal de Dança de Veneza de 2016. A música é a origem propulsora de Verso La Specie. É uma dança cujos modelos estão nas métricas da poesia grega arcaica e, figurativamente, no ritmo dos movimentos dos cavalos. Em roupas austeras, todos de preto, os dançarinos avançam como numa procissão, incorporando, ao som da música de Stefano Bartolini, gestos que buscam a origem do ritmo. Para cada lugar que Castellucci leva Verso La Specie, ela seleciona vinte artistas da cidade para participarem de um intenso workshop durante nove dias e, ao final do processo, se apresentarem para o público. No Cena Brasil, as sessões estão programadas para acontecerem ao ar livre, na Praça dos Correios, com entrada franca.

Em seu trabalho mais recente, La Vita Ferma: Sguardi sul Dolore del Ricordo, a dramaturga e diretora italiana Lucia Calamaro retorna ao tema da morte e, desta vez, o faz a partir da memória daqueles que vivem. Produzida por Sardegna Teatro e Teatro Stabile dell’Umbria e coproduzida pelo Festival d’Automne à Paris/Odéon-Théâtre de l’Europe, a peça estreou no ano passado, no Festival Terni, na Itália. Inédita no Brasil, Calamaro é uma autora e diretora premiada em seu país, tendo conquistado o UBU, principal prêmio de teatro italiano, com a obra L’Origine del Mondo, Ritratto di un Interno (2011). La Vita Ferma: Sguardi sul Dolore del Ricordo é um drama em três atos que traz olhares sobre a dor da lembrança e sobre a ruptura irredutível entre os vivos e os mortos. É uma reflexão sobre o luto e a dor de recordar aqueles que não estão mais presentes, mas têm suas memórias reinventadas por quem está vivo. A peça apresenta um vislumbre da trajetória de três pessoas comuns – pai, mãe e filha –, sendo que uma delas está morta em cena. O elenco é formado por  Riccardo Goretti, Alice Redini e Simona Senzacqua.

Inédito no Rio, o The Maxim Gorki Theatre, um dos grupos mais politizados da Alemanha, apresenta o espetáculo The So-Called Outside Means Nothing to Me. O diretor Sebastian Nübling, a coreógrafa Tabea Martin e quatro atrizes da companhia apresentam o texto da premiada escritora alemã feminista Sibylle Berg. Autora de 21 peças e treze romances, Sibylle é considerada uma das escritoras mais provocantes da Alemanha. The So-Called Outside é uma obra sobre o feminismo jovem e personagens que transitam entre a adolescência e a vida adulta. Formado por Rahel Jankowski, Cynthia Micas, Suna Gürler, Nora Abdel-Maksoud, o elenco fala simultaneamente o mesmo texto sobre medos, desejos e obsessão pelo sucesso presentes na vida de mulheres que se veem pressionadas pela mídia e pela sociedade. Como eles realmente querem viver suas vidas? Construído em 1827 em Berlim, o Teatro Maxim Gorki foi destruído totalmente na Segunda Guerra Mundial. O local foi reconstruído e reaberto em 1952. O Gorki apresenta projetos que refletem a sociedade diversificada nestes tempos de crises econômicas e políticas e de conflitos sociais e culturais. A companhia trabalha com um elenco multiétnico. A missão do Gorki é estar aberto a profissionais independentemente de suas origens.

O Cena Brasil Internacional selecionou quatro atrações, sendo duas estreias nacionais (O Abacaxi e Mortos-Vivos: Processo para uma Ex-Conferência), uma estreia no Rio (Real) e um processo (Em Criação: Trajetória Sexual).

Mortos-Vivos: Processo para uma Ex-Conferência é a nova criação do grupo Foguetes Maravilha. A peça, que faz sua estreia no festival, parte de uma premissa fantástica: e se realmente acontecer um apocalipse zumbi e os cadáveres voltarem a vida? Como combater hordas de mortos-vivos insaciáveis que invadem as casas e despedaçam as pessoas? Como discutir ética com um ser inarticulado? Não há mais governo, sinais de trânsito, produtos de supermercado, etiqueta social ou amenidades. Escrita por Alex Cassal e dirigida por Renato Linhares, Mortos-Vivos traz no elenco Felipe Rocha, Lucas Canavarro e Stella Rabello, além do próprio diretor. Em cena, quatro especialistas analisam a crise que os rodeia em busca de estratégias de sobrevivência, enquanto discutem temas como xenofobia, tortura – além de quais são as armas mais efetivas para destruir um morto-vivo.

Com texto da atriz Veronica Debom, que divide cena com o ator Felipe Rocha, a peça O Abacaxi estreia no Cena Brasil. A montagem aborda a transição que o nosso tempo vive em relação ao amor e às combinações que tentamos estabelecer para lidar com ele. A obra, que marca a estreia de Debom como dramaturga, fala de uma geração que tem, de um lado, pais casados até hoje, com mães que escolheram a dedicação exclusiva à casa e à família, e, do outro lado, filhos que diluem a identidade de gênero e veem o amor livre com naturalidade. Com direção de Debora Lamm e Fabiano de Freitas, O Abacaxi é uma peça de humor ácido sobre essa busca, sobre a procura do amor que liberta e que ainda está em construção.

O grupo mineiro Espanca! apresenta o seu mais novo projeto: Real. O espetáculo é composto por quatros peças de curta duração criadas a partir de acontecimentos que marcaram o Brasil recentemente: um linchamento, um atropelamento, um movimento grevista e uma chacina policial. Com direção geral de Gustavo Bones e Marcelo Castro, a peça pretende investigar a “poética da violência a partir da realidade”. O elenco é formado por Alexandre de Sena, Allyson Amaral, Assis Benevenuto Vidigal, Gláucia Vandeveld, Gustavo Bones, Karina Collaço, Leandro Belilo, Marcelo Castro e Michelle Sá. Encenadas em sequência na mesma apresentação, as quatro obras compõem uma espécie de “revista política” sobre o país. Inquérito, de Diogo Liberano, tem direção de Gustavo Bones. O Todo e as Partes, escrito por Roberto Alvim e dirigido por Eduardo Félix, utiliza princípios do teatro de bonecos. Parada Serpentina partiu de imagens, estudos de movimentos e é fruto da criação coletiva do elenco. Marcelo Castro é o diretor de Maré, escrito por Márcio Abreu.

O ator e autor Álamo Facó apresenta uma versão em processo do seu novo espetáculo, Em Criação: Trajetória Sexual. O projeto encerra a trilogia composta por Talvez (2008) e Mamãe (2015) – dois solos criados, escritos e interpretados por Facó. Trajetória sexual transita entre a autobiografia e a ficção, e assim como nas peças anteriores o autor faz uso de experiências pessoais para construir esta nova dramaturgia. O texto traz um olhar pessoal do intérprete sobre experiências sexuais, nos mais variados contextos e situações – o sexo com desconhecidos, com transgênero, com o melhor amigo e em estados variados de consciência, o sexo em locais públicos, o sexo com amor, as orgias e a disfunção sexual.

SERVIÇO

Data: de 31 de maio a 11 de junho de 2017

Locais:

Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro).

Informações: (21) 3808-2020.

Ingressos para os espetáculos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Entrada franca para o processo artístico Em Criação: Trajetória Sexual

(Distribuição de senhas meia hora antes da sessão, na bilheteria do CCBB).

Praça dos Correios (R. Visconde de Itaboraí, 20 – Centro).

Entrada franca (Distribuição de senhas meia hora antes da sessão, na bilheteria do CCBB).

Venda de ingressos: De quarta a segunda, das 9h às 21h, na bilheteria do CCBB

e pelo site: www.ingressorapido.com.br

Site oficial do festival: www.cenabrasilinternacional.com.br

As apresentações estrangeiras têm legendas eletrônicas em português

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