Queercore: How to Punk a Revolution

por

18 de outubro de 2017

Quando pensamos em “cultura punk” muitas vezes pensamos em homens pulando uns contra os outros, gritando e mostrando toda a sua masculinidade. Queercore: How to Punk a Revolution está aqui para quebrar esteriótipos e mostrar que só por que você gosta de pessoas do mesmo sexo, você não precisa ser fã de Madonna.

Completamente desiludidos com os caminhos conformistas tomados pela militância gay dos anos 1980, dois jovens punks de 20 anos, Bruce LaBruce e GB Jones, tomaram uma decisão ousada: criar eles mesmos sua própria revolução, a chamada Homocore. Conhecida depois como a Queercore, a iniciativa acabou se tornando um movimento internacional de rebelião underground, espalhando-se por espaços artísticos e do ativismo.

maxresdefault (2)

Um documentário pós MTV que é extremamente interessante visualmente e abre espaço de fala para grupos geralmente marginalizados pela sociedade. Gays, bissexuais, lésbicas e transgêneros que na era pré internet se expressavam artisticamente por meio de zines, filmes experimentais, performances e, como foco do filme, a música. A história do surgimento do homocore – ou queercore – é cheia de contradições e mentiras de bom humor. Um ativismo sociopolítico através da arte feito por poucas pessoas que acabaram encorajando outras e criando uma cena LGBTQ+ punk rock na década de 1980.

Dirigido pelo cineasta Yony Leyser, o longa-metragem está repleto de imagens de arquivo e novas entrevistas que educam seu público sobre o significado cultural de queercore. Apresentando bandas como Tribe 8, Pansy Division e Bikini Kill, que estabelecem as bases para influenciar outros como Green Day, Nirvana e Peaches. Ao mesmo tempo, Bruce LaBruce lamenta a perda da identidade gay como a vanguarda, ressaltando que, à medida que a aceitação queer torna-se mais dominante, a identidade deles é diluída e transformada em algo pouco reconhecível.

Queercore-2

Os entrevistados compartilham seus pensamentos sobre homofobia, gênero, feminismo, AIDS, assimilação, sexo, e claro, arte, revelando as perspectivas e experiências de bandas, cineastas, escritores e outros queers. O filme observa que, enquanto os ativistas políticos trabalham incansavelmente para garantir os direitos e promover o movimento pela igualdade LGBTQ+, o trabalho no nível cultural também é importante. Movimentos como homocore trazem visibilidade, iniciam conversas e ajudam pessoas queer de todos os tipos a encontrar um senso de comunidade.