Debate Mostra Foco Série 2 na 21° Mostra de Cinema de Tiradentes

Com os filmes Filmes "Calma" de Rafael Simões, "Sr. Raposo" de Daniel Nolasco, "A Retirada Para um Coração Bruto" de Marco Antônio Pereira

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24 de janeiro de 2018

Debate Mostra Foco Série 2 na 21° Mostra de Cinema de Tiradentes:
Filmes
“Calma” de Rafael Simões
“Sr. Raposo” de Daniel Nolasco
“A Retirada Para um Coração Bruto” de Marco Antônio Pereira

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Daniel Nolasco começa falando que o filme Sr. Raposo foi adaptado de um conto não publicado do personagem homônimo da vida real “Acácio”.
Acácio é o parceiro do diretor na vida real, ele tem formação em teatro, e uma voz muito boa, e por isso já havia narrado o curta “Plutão”, e agora interpreta um papel no Sr.  Raposo, vendo sua história ser contada como personagem (sendo que há 3 personagens interpretando o Acácio, inclusive ele mesmo). Um conto baseado numa festa que ele havia montado porque achava que ia morrer, mas acabou que não faleceu.
Pegou referências gay que trabalham muito com erotização e fetiche. E traz assunto sobre BDSM (sadomasoquismo) que ainda é um ponto dissonante não trabalhado.

Sobre “Calma”, como foi filmar na ocupação e na construção de personagens?

Os moradores da ocupação abraçaram o projeto, realmente colaboraram. E geralmente nessa situação as pessoas que filmam abandonam depois a locação filmada, mas no caso da equipe de “Calma” continua lá ajudando eles com outros projetos e ajudando com o próprio filme deles. E eles abraçaram muito a representação artística.

Marcos Carvalho da equipe de produção de “Calma” complementa que já havia sido filmado algo lá que os moradores reclamaram muito, que foram abandonados. E isso foi exatamente o que não quiseram fazer. Afinal, é uma ocupação dentro do lixão. E há todo um sistema vivo. E a equipe voltou com projetos e trabalhos com eles, só consomem alimentação e etc de lá.

Sobre “A Retirada Para um Coração Bruto”, o diretor Marco Antônio Pereira fala que conhece Manoel, o protagonista de seu filme desde muitos anos, e hoje em dia ele mora até na casa detrás da dele. E Marco subiu no muro e perguntou se Manoel queria fazer um filme, e ele respondeu: sim, claro, que horas? (Risos).
Manoel complementa que se está aqui, é devido ao filme e agradece muito por isso.

Daniel Nolasco, então, é perguntado sobre o excesso de fetichização e da patologização dos arquétipos, e um dos espectadores se sentiu mal e desconfortável com a patologização…
Mas Nolasco diz que respeita a opinião dele, mas ou não conseguiu alcançar o que pretendia para criticar os arquétipos utilizados, ou Daniel como diretor e o espectador que verbalizou o incômodo estariam trabalhando com codificações referenciais diferentes

Sobre “Calma”, o diretor é perguntado sobre a estética do estático e ferramenta da imobilidade, referenciando um texto do crítico Juliano Gomes sobre Era Uma Vez Brasília como analogia para “Calma”.

Rafael diz que ainda não conseguiu ver Era Uma Vez Brasília, mas já lhe disseram que havia uma analogia entre os filmes. E existe uma imobilidade do quadro perante a explosão de som. O Brasil está passando por momentos que não conseguem ser falados… E o filme usa essa extensão da imagem que vira letargia crítica, e o cinema também denuncia falências sociais, e o diretor se pensando como espectador ele pensa preferir o personagem que não consegue sair daquela situação, como na vida real, mesmo com o tempo extendido, e não reage, gera um incômodo. Mesmo que possa se interpretar que a inação também seja uma ação política, de fato não agir seria em prejuízo deles mesmos ali, mas ea impotência na qual estão postos. Seria irreal fazer os personagens agirem para sair dali com possibilidades que não lhe são dadas.

Marcos Carvalho acrescenta que houve uma responsabilidade de trabalhar ali num local alheio a eles. Houve uma aliança de mútuo conhecimento.

E Rafael lembra do som que sai da imobilidade da imagem, e o som é tão importante quanto no trabalho anterior deles, “Chico” dirigido pelos irmãos Marcos e Eduardo Carvalho.