Pregos, amor e fantasia nas peripécias de um herói à moda indiana

Candidato ao posto de blockbuster exótico do ano, 'The Extraordinary Journey of The Fakir' aposta no romantismo e na magia para fazer de Dhanush um astro de popularidade mundial

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05 de setembro de 2018

Unidos pela dança à moda indiana, Bérénice Bejo ajuda Dhanush a realizar as profecias de seu destino em "The Extraordinary Journey of the Fakir"

Unidos pela dança à moda indiana, Bérénice Bejo ajuda Dhanush a realizar as profecias de seu destino em “The Extraordinary Journey of the Fakir”

Rodrigo Fonseca
Cannes veio abaixo de rir e de suspirar nas projeções para o mercado da aventura romântica de tintas cômicas e mágicas The Extraordinary Journey of The Fakir, encarado como um fenômeno de público em potencial. Com o apoio do talentoso ator Dhanush, uma espécie de Bill Murray da Índia, Ken Scott dirige a saga de Ajatashatru Oghash Rathod, um faquir que viaja o mundo por duas razões. A primeira: correr atrás de um novo colchão de pregos; a segunda: reencontrar a francesa por quem se apaixonou. Visto por 80 mil pagantes em sua estreia na França, o longa já está em exibição nos voos da Air France para o Brasil, mas ainda não chegou ao circuito nacional.

Nesta entrevista, o diretor explica suas escolhas estéticas… e fantásticas.

ALMANAQUE: Qual é a dimensão fabular que você buscou alcançar com The Extraordinary Journey of The Fakir?

KEN SCOTT: Existe já no livro de Romain Puértolas em que nos baseados uma natureza de fábula, encantadora, no modo inusitado como o faquir se desloca por lugares inusitados. Porém, o que havia de mais especial no tom fantástico da história é o fato de ela exigir uma fidelidade a cada cultura que nós visitamos. Não é um filme de turista. É um mergulho profundo em territórios de muita riqueza cultural.

ALMANAQUE: O que mais e melhor se impões nessa sua jornada extraordinária é a potência visual de sua fotografia. Como ela foi construída?

KEN SCOTT: Como nós viajamos por muitos lugares, eu busquei dar ao visual do filme o máximo de proximidade com o colorido cultural de cada país visitado. A luz natural da Índia, por exemplo, pesa na construção visual dos primeiros 21 minutos.

ALMANAQUE: Como foi a construção da figura de Ajatashatru Oghash Rathod, seu faquir, de modo a evitar caricaturas?

KEN SCOTT: Ter em cena um ator que fez 35 filmes antes de trabalhar com você, como é o caso de Dhanush, ajuda muito. Ele é muito experiente e sabe como extrair humor das situações mais corriqueiras.

ALMANAQUE: E é um humor universal?

KEN SCOTT: Se você fala sobre a condição humana, você estará sendo, de modo imediato, universal. Há alguns anos, eu dirigi no Canadá um filme chamado A Grande Sedução. Parecia um roteiro regional, com foco em pescadores. Um dia, soube que distribuidores da Coreia do Sul estavam doidos pelo filme. Estranhei e perguntei a eles: “O que essa história significa pra vocês”. A resposta foi: “Tudo. É um filme sobre nós, tem tudo a ver com nosso modo de encarar a vida”. Depois disso, parei de mirar em valores específicos e passei a crer no poder de comunicação global da linguagem do cinema.

ALMANAQUE: E onde o silêncio entra na sua narrativa?

KEN SCOTT: A economia de palavras modula a potência de qualquer diáligo.