Rambo está voltando

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01 de outubro de 2018

7 Rambo V a imagem que vale

Rodrigo Fonseca
Está agendada para 21 de novembro a estreia mundial de “Creed II”, que só virá ao Brasil em 24 de janeiro, trazendo Rocky Balboa de volta às telonas. Porém a cabeça e os músculos de Sylvester Stallone já estão na quinta aventura de John Rambo, já em produção. O lançamento está previsto para 2019, com uma codireção a quatro mãos entre Sly e Adrian Grunberg (do ótimo “Plano de fuga – Get the Gringo”), tendo o tráfico de drogas como seu alvo. Uma vez mais, a base são os personagens e o universo fardado decalcado do romance “First blood” (1972), do canadense David Morrell, hoje com 75 anos. Os produtores da Millennium Films escolheram a Croisette como ponto de partida para a captação de recursos e de financiadores para o longa-metragem número cinco da cinessérie: cartazes com o herói foram espalhados pelo Festival de Cannes, onde Stallone foi lançar “Risco total”, em 1993.

Entre 1982 e 2008, os quatro filmes protagonizados por Rambo renderam US$ 727 milhões aos cofres de Hollywood. O quarto chegou a ser projetado no Festival de Veneza de 2009, numa homenagem que Stallone recebeu, na forma de um Leão de Ouro honorário. Na nova trama, Rambo está vivendo nos EUA, depois de um longo exílio na Ásia, tomando conta do rancho de sua família. Mas ele vai ter de cruzar a fronteira do México para salvar a filha de um amigo das garras dos cartéis da droga.

Rambo V 5 Sly

Lá atrás, no comecinho dos anos 1980, cogitou-se que Mike Nichols dirigiria “First blood”, o primeiro e mais cultuado dos longas da franquia “Rambo”. Imagine a transformação que o cinema de ação teria sofrido se o diretor de “A primeira noite de um homem” (1967) tivesse convencido Dustin Hoffman, seu ator-fetiche, a viver o papel do ex-combatente John Rambo no projeto inicial de adaptação do livro de Morrell. Além da dupla Hoffman & Nichols, que não topou embarcar na missão, Clint Eastwood, Al Pacino e James Mason foram cogitados para o papel – em vão. Esperava-se um drama de guerra mais sofrido, nas raias da tragédia. Mas os produtores do projeto, Andrew G. Vajna e Mario Kassar preferiram optar por um tom mais pop e conseguiram convencer o eterno Rocky Balboa, Stallone, então com 35 anos, a aceitar um cachê de US$ 2 milhões para encarnar o ex-militar. Ao aceitar a oferta ele acabou construindo um segundo personagem icônico, quase tão querido quanto o Garanhão Italiano. Quem tomou pra si a direção foi o canadense de origem búlagara William Theodore Kotcheff, ganhador do Urso de Ouro de Berlim de 1974 pela comédia “O grande vigarista” (“The apprenticeship of Duddy Kravitz”).

 

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Filmado no Canadá, com um orçamento inicial de US$ 11 milhões, mais tarde inflacionado para US$ 17 milhões, o longa ganhou uma vitalidade rara, graças à trilha sonora de Jerry Goldsmith, que virou um  marco dos anos 1980, na cartilha da música para cinema. Remexendo a base dramática deixada por Morrell, o enredo filmado ganhou uma estrutura dramatúrgica que lembra “Os miseráveis”, de Victor Hugo: um homem bom é condenado à perseguição perpétua pelo simples delito de sobreviver. Brian Dennehy (dublado no Brasil na voz de Ionei Silva, na versão exibida no SBT, em 1988) brilha como Teasle, um xerife de uma cidade do interior. Ele é o inspetor Javert da roça, que hostiliza soldados egressos do Vietnã. Entre seu alvos está o soldado Rambo (Stallone, dublado aqui por André Filho). Nas bilheterias, o filme arrecadou US$ 125,2 milhões, sendo US$ 47 milhões só nos EUA. Hoje em dia, por conta de questões de direitos autorais e de redublagens, a voz brasileira de Rambo pertence a Cássius Romero.