43ª Mostra de SP e o extracampo político dos melhores filmes da edição

Confira uma lista sugerida de melhores filmes da edição através da comunicação com os recentes acontecimentos políticos no Brasil e no mundo

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10 de novembro de 2019

Quem diria que os acontecimentos recentes na vida real iriam atropelar de tal forma a narrativa contada pelos filmes da 43ª Mostra de SP em sua reta final, logo na semana de repescagem em que podemos conferir os melhores exemplares que podemos ter deixado passar até então, a tal ponto em que os brasileiros não poderiam deixar de comunicar de forma metafórica e também literal algumas das narrativas ficcionais das obras deste ano com o que está acontecendo com o cenário sócio-político brasileiro no momento. Quem diria que o maior história contada nesta Mostra seria a vida real? Que a famigerada prisão do ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva se tornaria num grande evento de encerramento da Mostra, talvez o maior de sua história até agora, já que a história do ex-presidente se cruza com a do estado de São Paulo e o ABC paulista, lugar onde ele gerou vários marcos históricos, dentre eles o dia em que se entregou voluntariamente à prisão (prisão esta bastante discutida judicialmente em termos de sua constitucionalidade), e que agora foi revertida com a subsequente soltura do mesmo, que voltou a discursar em São Bernardo, bem ao final da Mostra de São Paulo. Ficção e realidade se misturando e se potencializando na reflexão crítica dos cinéfilos de prontidão. Conseguiu ultrapassar até o hype de filmes do porte de “Parasita”, “Farol”, “System Crasher” e tantos outros! Foi a cereja do bolo! Vamos fazer uma análise semiótica do encerramento da Mostra com a soltura do ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva:

Foi mais livre que “A Garota com a Pulseira”, mais erótico que “O Farol” e “O Diabo entre as Pernas” juntos, foi mais justiça social que “Parasita”, enlouqueceu mais az inimigaz que a menina de System Crasher, foi mais comunismo do que as abelhas comunistas de “Honeyland”, afetou mais o atual presidente do que o atentado final de “Filhos da Dinamarca”, desinvisibilizou a injustiça contra Lula em sua prisão arbitrária mais do que as cartas de Guida pra Eurídice quando ela enfim se livra do peso morto do marido aprisionador em “A Vida Invisível”…. E é mais guerrilheiro até do que “Monos”, mais assombroso do que La Llorona, mais longevo com efeitos futuros do que “Até Logo, Meu Filho”, mais divindade do que “Deus é Mulher, Seu nome é Petúnia”, mais maluco que “Sinônimos” e mais empoderador que “Papicha”…

Mas… Ao mesmo tempo foi a cereja do bolo de tudo isso e conseguiu dialogar com essas narrativas de modo a potencializar e engrandecer a experiência total. Ainda mais para vocês que puderam ficar na repescagem e sentir a experiência completa, de acabar a Mostra e desaguar DIRETO na notícia de que Lula seria solto…e foi!

E, para quem apreciou esta pequena analogia com a lista de melhores filmes da atual edição da Mostra de São Paulo talvez aprecie também outra listinha também cruzada e parafraseada de forma mais sutil com o extracampo político do ano anterior, quando aconteciam as eleições e os postos de vira voto espalhados pela Avenida Paulista. Copio conforme publicado na época:

“Agradecimentos por mais uma grande Mostra gloriosa.

Porém….mais do que isso, por num dos momentos mais potencialmente tenebrosos para o país, podermos ter compartilhado e dividido um campo de proteção e reflexão incrível através de tantos filmes dialogados aqui e com o próprio país neste momento, que transbordaram as salas de cinema e alcançaram as ruas, viraram votos, montaram mesas pela Paulista de conversa e papo aberto, levaram adesivos pra sala de cinema e pra fora dela. Criaram empatia poderosa e união que a catarse cinematográfica só ajudou a selar na vida real.

Obrigado a todos os envolvidos por tratarmos esse cafarnaum todo como um assunto de família, e mesmo que eu não me importe que entremos para a história como bárbaros, o rosto selvagem desta temporada que passamos infiltrados no Klan dos coxinhas domingo passado, parecendo uma almofada de alfinetes, Mostra que los silencios da casa dividida tem culpa quando o retorno de uma fuga revela as 3 faces da Guerra Fria na Ilha de não me toques. Não deixem sequer a terceira esposa, ou seja a segunda, primeira e mesmo a favorita viver presa na Torre das Donzelas. Temos de viver como uma costureira de sonhos, como tinta bruta, como um barco ou uma reza onde se é tarde para morrer jovem, de amor até as cinzas, onde não poderia perdoar quem vive sem amor ou de vidas duplas… Se a vida te der Ava ou Aga quando tudo o que você quer é Abba, siga o mau exemplo de Cameron Post dançando a Valsa de Wadhein, e faça uma Limonada! Afinal, o que você vai fazer quando o mundo estiver em chamas?”