50 São os Novos 30

Comédia romântica em cartaz no Festival Varilux de Cinema Francês 2018 diverte e discute temas atuais de caráter universal

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15 de junho de 2018

Com a crise econômica mundial, cada vez mais os filhos demoram a sair da casa dos pais, enquanto outros se vêm obrigados a retornar ao lar parental, principalmente após um divórcio. É normal que o cinema, como uma forma de representação da vida real que é, explore esta temática sob a lente de gêneros diversos. A cineasta e atriz francesa Valérie Lemercier escolheu a comédia romântica para contar as desventuras de Marie-Francine (a própria Lemercier), uma mulher de 50 anos trocada pelo marido (Denis Podalydès) por uma mais jovem que é também demitida após 10 anos trabalhando na mesma empresa, não tendo outra saída a não ser voltar para a casa dos pais (Hélène Vincent e Philippe Laudenbach, ótimos). Trabalhando numa loja de cigarros eletrônicos, Marie-Francine conhece Miguel (Patrick Timsit), que está praticamente na mesma situação que ela, e ali nasce uma paixão entre eles.

“50 São os Novos 30” é uma espécie de boy meets girl da meia idade muito bem humorado, que mostra que não há idade para voltar a amar e para reaprender a se amar. O roteiro, escrito por Valérie Lemercier e Sabine Haudepin (atriz que estreia como roteirista), é leve e mantém o ritmo do início ao fim. Não há surpresas na trama, as situações são bem óbvias, mas também bastante divertidas e bem conduzidas por Lemercier. A química flui bem entre todo o elenco, em especial entre Lemercier e seus pais fictícios interpretados por Hélène Vincent e Philippe Laudenbach, que infantilizam a filha o tempo todo e se metem em sua vida muito mais do que deveriam. Um tanto caricatos, os pais são aqueles personagens típicos da comédia francesa que sempre nos fazem rir. Patrick Timsit dá vida ao descendente de portugueses Miguel de forma competente, bem como Denis Podalydès, que já trabalhou com Lemercier em “Adeus Berthe: o Enterro da Vovó”, ao viver o ex-marido.

O maior mérito de “Marie-Francine” (no original) é ser um filme universal que desperta empatia em boa parte do público de alguma forma, seja por ser trocada por uma mulher mais jovem, por perder um emprego de longa data não sendo mais tão jovem, por ser obrigado a voltar para a casa dos pais, por tentar refazer a sua vida com outra pessoa, por perder a sua privacidade ou por obstáculos da vida. Ainda que não seja um grande filme, “50 São os Novos 30” não é aquele tipo de longa que se esquece logo após sair da sala do cinema e entrega exatamente o que propõe: fazer rir enquanto também emociona e cria identificação no espectador.

 

 

Festival Varilux de Cinema Francês 2018 – 50 São os Novos 30 (Marie-Francine)

França – 2017. 95 minutos.

Direção: Valérie Lemercier

Com: Valérie Lemercier, Patrick Timsit, Hélène Vincent, Philippe Laudenbach e Denis Podalydes.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4