‘A Cabana’

Adaptação cinematográfica do best-seller homônimo de William P. Young, longa entra em cartaz nas salas brasileiras nesta quinta-feira, dia 06.

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05 de abril de 2017

Adaptação cinematográfica do best-seller homônimo de William P. Young, “A Cabana” (The Shack – 2017) entra em cartaz nas salas brasileiras nesta quinta-feira, dia 06, levando para as telas a mensagem de superação da dor através da fé, do amor e do perdão.

Octavia Spencer e Sam Worthington esbanjam química em cena (Foto: Divulgação).

Octavia Spencer e Sam Worthington esbanjam química em cena (Foto: Divulgação).

Sob a direção de Stuart Hazeldine, o filme conta a história de Mack Phillips (Sam Worthington), homem que além de lidar com traumas do passado, precisa encarar a dor mais temida por qualquer pai: a da perda de um filho. No caso, a filha caçula, que fora raptada e assassinada durante as férias com a família no Lago Wallowa, no estado americano do Oregon. Assolado por um sufocante sentimento de culpa, Mack decide voltar à cabana onde o crime ocorreu, acreditando que o assassino estará no local, no intuito de acertar as contas. Nos arredores, Mack encontra um jovem que o convida a encontrar Papa (Octavia Spencer), apelido carinhoso ao qual sua família se refere a Deus.

A tragédia com a pequena Missy (Amélie Eve) e a relação de Mack com o pai alcoólatra e violento são mostradas em flashbacks inseridos com eficiência pela montagem de William Steinkamp. Contudo, este longa apresenta um grave problema que interfere diretamente em seu resultado final: o roteiro que optou pelo caminho mais fácil para contar sua trama. Desenvolvido com o máximo de pieguice possível, repleto de diálogos primários, o roteiro não aprofunda o sofrimento da família nem mesmo os questionamentos de seu protagonista aos desígnios de Deus. Ou seja, a trama caminha sobre as águas durante todo o tempo.

Vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por "Histórias Cruzadas", Octavia Spencer assume o desafio de interpretar Deus em "A Cabana" (Foto: Divulgação).

Vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por “Histórias Cruzadas”, Octavia Spencer assume o desafio de interpretar Deus em “A Cabana” (Foto: Divulgação).

Com uma trilha sonora que funciona exclusivamente para impulsionar o melodrama e efeitos visuais pífios, “A Cabana” tem como alicerce as atuações de Sam Worthington e Octavia Spencer, que esbanjam química em cena mesmo quando a pieguice domina completamente a narrativa. No entanto, é Amélie Eve quem chama a atenção do espectador por sua espontaneidade e delicadeza.

“A Cabana” é uma produção que não desenvolve com afinco nenhuma das questões abordadas, focando apenas na transmissão de sua mensagem positiva de que toda dor pode ser superada, desde que o indivíduo persevere em sua fé e permita que o amor o leve ao perdão e, consequentemente, à cura. Porém, que isso só é possível quando se expande o olhar para além do próprio umbigo. No caso, olhar além da dor que enfraquece e envenena a alma – “Quando tudo o que você consegue ver é a sua dor, você me perde de vista”, diz Papa a Mack.

No fim das contas, “A Cabana” é um filme de auto-ajuda sobre o amor desmedido e suas consequências, que pretende ensinar ao espectador sobre a necessidade de valorização do quê (e de quem) realmente importa, pois, segundo Papa ao mostrar as chagas de Cristo, “o amor sempre deixa uma marca”.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 3