A Camareira (20° Festival do Rio)

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07 de novembro de 2018

O filme mexicano “A Camareira”, estreia na direção de Lila Avilés em longas-metragens, já é desde já a maior surpresa inesperada do Festival, que não seja um dos Filmes a chegar já mega premiados ou muito recomendados. Com uma história aparentemente simples, seguindo de forma naturalista a rotina de uma camareira em apart-hotel de luxo, cada nuance e descoberta vão se tornando numa complexa análise psicológica de uma estrutura de classes fechada e aprisionadora. Vamos entendendo aos poucos os porquês de a personagem se preservar tanto. E, conforme conseguimos acompanhá-la relutantemente em tentar abraçar novas experiências, vamos também descobrindo o tamanho da decepção do risco em desviar de seu caminho.

Experiências que lhe agregam valor humano, mas que custam muito mais caro para quem tem tudp a perder a cada instante. De uma sensibilidades ímpar, com extravagâncias esdrúxulas que vão acontecendo aos poucos, a partir do momento em que já estabelecemos uma relação de confiança com a protagonista interpretada de forma magistral por Gabriela Cartol. A cena em que ela menstrua ou quando ela se desafia num joguinho de levar choques são de uma leveza sublime da essência do ser. Mas dois momentos inesquecíveis definitivamente serão a sequência do strip-tease (infelizmente atrapalhada na nossa sala de projeção por um senhor roncando em altos decibéis que provocou uma onda de risos na hora errada), e a da cobertura do hotel, no heliporto, que e quando vemos a câmera sair de dentro daquele prédio claistrofóbico pela primeira vez.

São tantas as nuances que saímos desconfiando a própria sombra de cada personagem. Melhor ainda e saber que a cineasta Lila Avilés estreou na direção de longas-metragens com este trabalho e já concorreu a prêmios em Festivais como de Londres e San Sebastián.

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