A Costureira de Sonhos (42° Mostra de SP)

Romance eficiente com pitadas de consciência social

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23 de outubro de 2018

Que filme FOFO e encantador este “A Costureira de Sonhos” da diretora indiana Rohena Gera.

No nível de receber aplausos insuspeitos ao final da sessão advindos de um público super exigente típico da Mostra, mas que atipicamente deixou seu coração derreter por este exemplar romântico aqui. Mesmo sendo evidentemente um filme indiano feito sob medida para exportação, nos moldes de gênero americano, nada muda o fato de que a obra funciona, e até se resolve de maneira bem eficiente para o tipo explorado.

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Trafega um pouquinho no naipe de “Que Horas Ela Volta?”, mesmo que para o público brasileiro jamais possa ser um “Que Horas Ela Volta?”, mas para a sociedade indiana sim, calcada ainda muito dogmaticamente em castas nada paritárias em questões de gênero e classe. A protagonista vivida com bom rendimento e carisma por Tillotama Shome (de “Um Casamento à Indiana” de Mira Nair) seria o equivalente à Val mais jovem do nosso exemplar brasileiro, pagando pelos estudos da irmã (o equivalente à Jéssica), enquanto algo parece acontecer entre o patrão e sua funcionária. Com o diferencial de que aqui a Val indiana também pagará por seus próprios estudos para correr atrás de seus sonhos e tentará vencer as barreiras sociais pesadas de suas origens.

Vale ressaltar que não é porque se aproxima muito da cartilha de ritmo e clímax típicos do cinemão americano de comédia romântica que não o faça com eficiência. Vai lembrar muito ao público brasileiro a sensação que teve com outro sucesso indiano, “The Lunchbox” de Ritesh Batra, este sim um filmaço impecável e bem mais autoral para a filmografia recente indiana, mas existe uma necessidade de mostrar uma nova Índia em “A Costureira de Sonhos” que enche os olhos em fotografia e locações suntuosas. E não só. A diretora Rohena Gera se mostra atinada com inúmeras questões mundiais de vanguarda como igualdade de gênero e classe (e até menção rápida aos direitos LGBTQ+), refletindo isso dos diálogos à evolução de personagens… mesmo que não dispensa um Deus Ex Machina à la “Uma Linda Mulher” ou “Cinderella” a certa altura com o “male savior” (homem salvador)…

Mas quem estiver longe da 42° Mostra de SP e não puder assistir este provável futuro sucesso de público brasileiro, não temas. Talvez resultado direto da visibilidade concedida pelo prêmio que ganhou na Semana da Crítica em Cannes este ano no suporte para sua distribuição internacional, além de dois prêmios de público em outros Festivais comprovando seu efeito irresistível nas plateias, a Imovision já adquiriu o filme, com suporte do Telecine, e deve distribuir em breve. Deve ser daqueles exemplares que conseguirão ficar em cartaz por meses a fio em cinemas como o Grupo Estação Net.