A Festa

Melhor comédia do Festival do Rio 2017

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13 de outubro de 2017

Já o último filme da noite conseguiu a proeza de ser a sessão mais engraçada de todo o Festival, superando até a última vez em que mais havia se gargalhado coletivamente esta semana que fora com “Eu, Pecador” de Nelson Hoineff. O filme foi “A Festa” de Sally Potter, ganhador em Berlim este ano do Guild Film Awards. Todo em preto e branco, e com elenco estelar, a trama segue vários casais numa festa de celebração pelo novo cargo alcançado pela anfitriã interpretada pela diva maravilhosa Kristin Scott Thomas (“O Paciente Inglês”, “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “Há Tanto Tempo Que Te Amo”), selecionada como a nova Ministra da Saúde na Inglaterra.

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Ao longo da noite, as revelações e brigas vão começando a separar os casais compostos por ela e Timothy Spall (saga “Harry Potter”, “Sr. Turner”), Patricia Clarkson (“DogVille”, “Vicky Cristina Barcelona”) e Bruno Ganz (“A Queda”, “As Asas do Desejo”, “Nosferatu”), Cherry Jones (“Transparent”) e Emily Mortimer (“Match Point” e “A Pantera Cor de Rosa”), e por fim Cillian Murphy (“Dunkirk”, “A Origem”, “28 Dias Depois”) e uma personagem surpresa. O desenrolar é sutil e vai escalonando de forma natural. A trilha é um caso à parte, pois aparece de forma diegética de acordo com que o protagonista vai trocando os discos de vinil para harmonizar com os ânimos da casa, o que depois será parodiado pelo próprio filme quando outros personagens também começarem a usar a vitrola. Isto sem falar que há uma arma escondida por um dos personagens, usada como ponto de tensão em vários momentos, mas o filme corta muito mais com a força das palavras e dos diálogos do que com qualquer agressividade exposta.

Perpassam pela tela debates que desconstroem as hipocrisias da sociedade britânica toda quadrada e pomposa. Desde debates sobre saúde pública, sexualidade e feminismo. Não à toa a diretora Sally Porter costuma escolher personagens femininas fortes para trabalhar, como já havia feito com seu maior sucesso: “Orlando – A Mulher Imortal”. Aqui, percebe-se a influência da diretora em ter inúmeras personagens sólidas e construídas com complexidades próprias, quando em qualquer outro filme deste tipo todos os arquétipos aqui vistos em geral seriam concentrados apenas em uma única personagem feminina, que seria a meio sarcástica meio cínica da festa, destoando dos demais.