A Flauta de Pã

Cia Cuca de Teatro acerta ao investir em montagem com veia mais lírica e poética

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09 de outubro de 2015

O trabalho apresentado pela Cia Cuca de Teatro, no 8o FENATIFS, ”A Flauta de Pã” visita o universo da mitologia grega. Inspirada no Deus Pã, que é o Deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores na mitologia grega. Reside em grutas e vaga pelos vales e pelas montanhas, caçando ou dançando com as ninfas. É representado com orelhas, chifres e pernas de bode, amante da música, traz sempre consigo uma flauta. É temido por todos aqueles que necessitam atravessar as florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia os predispunham a pavores súbitos, desprovidos de qualquer causa aparente e que é atribuídos a Pã; daí o termo “pânico”.

Pã 1

Com cenografia limpa, “A Flauta de Pã” investe em uma estética mais poética e lírica

Pã 2

Os atores cumprem a missão em dar vida à seres mitológicos

O espetáculo dirigido por Geovane Mascarenhas, foi desenvolvido a partir de uma linha mais poética e lírica. Nesta concepção cênica adotada era preciso ter um maior apuro nas marcas dos atores, nos desenhos cênicos e nos quadros estéticos, formados a partir da beleza plástica dos figurinos, da cenografia e dos adereços. Além de que todos os tempos precisavam estar mais harmônicos e funcionado como uma polifonia de corpos e vozes. Alguns ajustes finos necessários, que irão torná-lo um ótimo espetáculo. O texto é bastante interessante, pois acompanha a trajetória de Pã ao desvendar os mistérios do Bosque Sagrado, e apresenta para nós diversas personagens que vão contribuindo para o seu crescimento. A montanha, musas da poesia, da dança e do canto, a fonte inspiradora, a sereia, as bruxas, Artemísia; até Pã encontrar Druzila, o seu verdadeiro amor, e o Bambu, de onde sairá a sua mítica flauta. A cenografia buscou trabalhar com poucos elementos, optando por uma cena mais limpa, e recriando apenas uma ambientação com tecidos leves e com cores suaves, para nos aproximar de um mundo mitológico e mágico como o da Grécia antiga. O mesmo ocorrendo com os figurinos, que são igualmente de tecidos leves e cores suaves, complementados com adereços de coroas, arcos, orelhas e pés de bode. Tudo na medida correta, sem exageros. No que diz respeito a música e ao canto, a Cia poderia se aprofundar mais no refinamento destas práticas. São detalhes estes que irão enriquecer por demais a poeisa já sugerida em cena. Neste caso a potência sonora, respirada junto com o aprofundamento do uso da música tocada em cena, e com a performance do ator na flauta de Pã. Os atores – Jailtton Nascimento, Elizete Destéffani, Neide Kocca, Jacy Queiroz, Fernando Pedro Maia, Geovane Mascarenhas e Carol Acos – se saem bem na missão de darem vida à figuras tão distantes de suas realidades, entretanto seria muito bem-vindo se eles pudessem mergulhar mais na poesia do texto, nos tempos líricos, degustar as pausas e toda a beleza que pode se extrair das cenas. “A Flauta de Pã”  é um espetáculo surpreendente, e que mostra as qualidades e as capacidades da Cia Cuca de Teatro de alçar outros vôos.


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