A Garota com a Pulseira

Drama familiar em suspense de tribunal

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23 de outubro de 2019

Lembram de “Custódia”? Drama familiar de tribunal que se tornava um finíssimo suspense e que brilhou na Mostra há 2 anos atrás? Então, “A Garota com a Pulseira” é o atual exemplar francês que preenche essa vaga muito esperada no Festival. Não querendo com isso aludir a um clichê ou repetição do tema, pois “Custódia” falava sobre a disputa da guarda de uma criança, onde boa parte da projeção manipulava o espectador a não saber qual polaridade parental realmente tinha o melhor interesse da criança em mente. Agora, também num limiar de moral dúbia, temos uma jovem com toda a vida pela frente e que enfrenta julgamento por um crime terrível que não sabemos se cometeu ou não.

Mélissa Guers está incrível em seu papel de protagonismo por “A Garota com a Pulseira” de Stéphane Demoustier, neste que é o novo filme francês de tribunais que esfacela com a instituição familiar ante valores moralistas, como “Custódia” fez ano retrasado. E a atuação de Mélissa caminha no mistério do olhar calejado de modo a não entregar nem inocência nem culpa ante o julgamento social — mantendo a dúvida até o fim, como grandes filmes do naipe de “Testemunha de Acusação” com Marlene Dietrich (a comparação foi com o filme, e não com a atriz, ainda que ambas encarnem em comum uma sexualidade bissexual e não binária bastante intrigante).

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