‘A Glória e a Graça’

Dirigido por Flávio R. Tambellini, longa estreia no dia 30.

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24 de março de 2017

Duas irmãs, vivendo uma situação limite, são levadas a um ajuste de contas após anos de distanciamento. Temas familiares com alguma semelhança já foram explorados no cinema em filmes como “Transamérica” e “As Filhas de Marvin”. O diretor Flávio Ramos Tambellini, com roteiro de Mikael de Albuquerque e Lusa Silvestre, desenvolve a história de “A Glória e a Graça” no contexto de uma família que lida com questões muito atuais. Graça cria sozinha um casal de filhos.  Glória é a dona de um restaurante bem-sucedida que na verdade nasceu Luís Carlos, um travesti. As duas vão se reencontrar após Graça descobrir que está com uma doença terminal.

Sandra Corveloni e Carolina Ferraz em cena (Foto: Divulgação).

Sandra Corveloni e Carolina Ferraz em cena (Foto: Divulgação).

Evitando o melodrama, o diretor escolhe uma abordagem mais leve da situação, que envolve um passado de mágoa e preconceitoentre as duas irmãs. Sem maior profundidade, o longa prefere tratar com um certo humor o que o destino reservou para duas, apesar de temas como transexualidade e proximidade da morte sempre criarem uma expectativa de mais desafio na dramaturgia.

Interpretar um travesti é tarefa que Carolina Ferraz dá conta com eficiência. Utilizando uma prótese dentária, como um dos recursos de composição da travesti Glória, ela mostra esforço em revelar aquele homem que se fez mulher. Glória, exibe segurança e êxito, realizada em sua transexualidade e na vida profissional. Já a Graça de Sandra Corveloni, oferece alguns momentos tocantes diante da doença grave e na passagem de bastão para a irmã na criação dos filhos. Mas a opção de fugir do melodrama, deixa o espectador carente de um elemento fundamental: a emoção.

Com fotografia que explora cenários multicoloridos, “A Glória e a Graça” tem o mérito de abordar personagens femininas presentes no mundo real: têm êxito porque produzem e criam os filhos, sem precisar de figuras paternas. No entanto, os dramas profundos dessas duas irmãs pedem um texto mais instigante.


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