A Luz Entre Oceanos

Drama romântico sobre escolhas levanta dilemas morais

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05 de novembro de 2016

Fazer uma escolha significa lidar com as consequências que ela trará, principalmente as perdas, afinal ganha-se de um lado e perde-se de outro. E o que é a vida senão uma sucessão de escolhas difíceis? Em “A Luz Entre Oceanos”, longa-metragem baseado no best-seller homônimo da australiana M. L. Stedman, a relação do casal Tom Sherbourne (Michael Fassbender) e Isabel Graysmark (Alicia Vikander) é uma jornada trágica marcada por delicadas escolhas que afetam não só suas próprias vidas, como a de muitas outras pessoas. Na trama, Tom é um veterano da Primeira Guerra Mundial traumatizado em busca de solidão, que se torna faroleiro numa ilha remota da costa Oeste da Austrália, onde conhece Isabel, uma jovem cheia de vida com quem acaba se casando. Quando as tentativas frustradas de formar uma família parecem não ter fim, eis que surge um barco à deriva com um homem morto e uma bebê, que eles decidem criar como sua filha. Tudo muda quando eles conhecem Hannah Roennfeldt (Rachel Weisz), a verdadeira mãe da menina, que pensava tê-la perdido para o mar.

Dirigido e roteirizado por Derek Cianfrance, de “Namorados Para Sempre” e “O Lugar Onde Tudo Termina”, o filme se inicia em 1918, quando Tom e Isabel se conhecem e iniciam um romance nos moldes tradicionais. A partir daí, há o desenvolvimento do relacionamento até a chegada da criança, batizada por eles de Lucy (Florence Clery), em 1923. “The Light Between Oceans” (no original) trata de dilemas morais através do contraste de personalidades entre o casal principal: enquanto ele representa a ética e a razão com sua culpa constante, ela representa o impulso e a emoção com a realização da maternidade. Cianfrance não faz juízo de valor e dá espaço para que o espectador reflita e decida sozinho quem acha que está certo, fazendo-o se colocar no lugar do casal e imaginar o que faria se lhe acontecesse o mesmo. Além disso, embora uma discussão não seja levantada na película, é possível refletir também sobre a questão da gravidez para a mulher antigamente, como era importante ser mãe e esposa para que ela tivesse um lugar na sociedade.

A entrega total de Michael Fassbender e Alicia Vikander a seus respectivos papéis faz toda a diferença no filme, que poderia ter se tornado um melodrama mediano em vez de um drama romântico profundo caso substituídos por outros atores menos competentes. Rachel Weisz também dá outra dimensão à sua personagem, que poderia ter sido uma mera coadjuvante. Com trilha sonora do premiado compositor Alexandre Desplat, “A Luz Entre Oceanos” é um drama de época envolvente que divide o público quanto às decisões dos personagens ao mesmo tempo em que gera empatia pela enorme humanidade que os atores trouxeram com suas interpretações, inclusive pela personagem de Weisz, que tinha tudo para ser rejeitada pelo público. Cianfrance soube dosar bem o drama e o romance na trama, sem cair no melodrama exagerado. O cineasta só erra um pouco a mão quando há um salto para 1950 e o desfecho é bastante apressado, mas nada que comprometa a qualidade final ou o longa como um todo.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4