A polêmica da pirataria…

Qual o limite entre a democratização do acesso de público e a negligência de políticas públicas para facilitar este acesso?

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17 de fevereiro de 2020

Matéria controversa, mas acaba sendo um parâmetro de base de dados para estudo que o Oscar ainda seja um dos maiores influenciadores do mercado, mesmo em sua faceta mais obscura: a pirataria! E aí, vocês concordam com pirataria? Discordam?

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Não julgarei as opiniões de ninguém, mas lembrarei que comercializar filmes sem direitos para tal é crime (digo, obter vantagem pecuniária com isso), independente se a lei estiver ou não anacrônica, ou se precisa ser revista… Mas lembrarei também que sou a favor da democratização do cinema: ou seja, há muitos nomes da indústria disponibilizam seus filmes voluntariamente, às vezes até com cartinhas fazendo declaração do porquê… Seja para Cineclubes ou em vias de streaming ou mesmo torrent.

Na China, o diretor Jia Zhangke afirma que se não fosse a pirataria, seus filmes não poderiam ser vistos no próprio país, vide o documentário excelente “Jia Zhangke – Um Homem de Fenyang” dirigido por Walter Salles sobre o grande cineasta chinês, precursor da linguagem digital. De forma similar, Jafar Panahi ironiza a mesmíssima situação em seu próprio filme multipremiado “Táxi Teerã”, que se passa no Irã.

Pois eis que o Oscar ainda influencia até mesmo a procura por downloads ilegais ou informais… E os filmes candidatos ao Oscar acabam espalhados nas redes com recordes de pirataria. Independente de o cinema e telona na sala escura ainda serem a melhor experiência para se ver qualquer filme, além do fato de que todo filme merece a tela de cinema, a verdade ainda é que poucos filmes chegam até o seletivo e excludente circuito exibidor de salas tradicionais de cinema, e se não fosse por métodos alternativos, às vezes até os próprios cineastas ficariam sem ter suas obras assistidas. — Vale lembrar que o retorno financeiro com a obra é também um direito dos realizadores tanto quanto de público, pois cinema além de arte é produto, movimenta o mercado e deve fazer girar capital e fomentar empregos, ou seja, tudo acaba refletindo ainda como o governo dá ou não subsídios para que esta indústria continue a crescer como nos últimos anos mais recentes, em que o cinema brasileiro teve um verdadeiro boom na economia do país.

No fim das contas, o que você, leitor, fez para contribuir com o seu cinema? Quantas vezes foi ao cinema este mês? Aproveitou as promoções e descontos em que alguns dias assistir ao seu filme preferido sai pela metade e às vezes até 1/3 do valor integral? Procurou Cineclubes gratuitos na sua região? E quantos filmes brasileiros já assistiu este ano? Só na Netflix há vários! Desde os indicados ao Oscar “Democracia em Vertigem” de Petra Costa e o filme internacional “Dois Papas”, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (de “Cidade de Deus”, codirigido com Katia Lund”). Além destes, clássicos recentes multipremiados como “Estou me Guardando para quando o Carnaval chegar” de Marcelo Gomes e “Temporada” de André Novais, sem falar em clássicos mais antigos que retornam, como “Branco Sai, Preto Fica de Adirley Queirós, que voltou ao catálogo da Netflix no dia 15/02. Aproveite! Curta! Dê feedback do nosso cinema, senão jamais conseguiremos repetir o feito do cinema coreano com “Parasita” de Bong Joon-Ho que ganhou os maiores prêmios do Oscar 2020 em muito graças ao fomento de políticas públicas e ao apoio incondicional de seu povo que vai prestigiar seus filmes no cinema!

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