A Repartição do Tempo abre Mostra Brasília e conquista público com seu estilo comercial

Primeiro longa do diretor Santiago Dellape valoriza estética dos anos 80, humor e cultura pop

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25 de setembro de 2016

repart-001Na manhã de ontem, a Mostra Brasília, competição paralela a principal do Festival de Brasília do Cinema Brasileira deu seu pontapé inicial. Voltada para o talento e produção local, ela contou com um Cine Brasília lotado, quando o curta Das raízes às pontas, da diretora Flora Egécia, abriu a mostra. O documentário busca questionar os padrões de beleza, praticamente imposições estéticas aos portadores de cabelo crespo, típico dos afrodescendentes.
das-raizes-as-pontasNo momento em que a equipe do longa do diretor Santiago Dellape, A Repartição do Tempo, subiu ao palco, o ator Andrade Junior aproveitou pra fazer uma reflexão. “Aqui nesse festival se aprende sobre o Brasil, sobre cultura… tem algum deputado distrital aqui? Tem algum político aqui?” Perguntou. Ninguém se levantou, ninguém se identificou e ele emendou. “Onde estão esses homens públicos?” A plateia aplaudiu.

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A ironia do comentário de Andrade Junior reside no fato de que a Mostra Brasília é “bancada” pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Já que o Troféu CLDF concede R$ 200 mil em prêmios.

A Repartição do Tempo é o primeiro longa do diretor, que realiza uma mistura de comédia de aventura e ficção.  Explorando um tom farsesco e com uma estética que remete aos anos 80, Santiago (que estourou localmente com o curta Ratão, em 2010) conta a história de uma máquina do tempo que cai nas mãos de Lisboa (Eucir de Souza), chefe de uma repartição e que resolve virar um exemplo de produtividade após ter sido ridicularizado numa reportagem. Para isso, tem como plano clonar os funcionários, mantendo os em trabalho escravo até colocar o trabalho em dia. O trio Jonas (Edu Moraes), Carol (Bianca Muller) e Zé (André Deca) resolve liderar uma rebelião contra o déspota.

repart-003O diretor explora bem situações de humor e tenta buscar elementos nessa influência nostálgica de uma época que marcou a formação de muitos profissionais do audiovisual. O elenco traz nomes consagrados no humor, como Tonico Pereira e Dedé Santana. Ainda traz nomes conhecidos nas produções nacionais, como Eucir de Souza, Bianca Muller, Selma Egrei e Sérgio Hondjakoff (o Cabeção da Malhação). E ainda uma turma de talentos brasilienses: Andrade Jr., Edu Moraes, Sérgio Sartório, Ricardo Pipo, Rosanna Viegas, Bidô Galvão, Dina Brandão, Lauro Montana e André Deca. Filmado todo na capital, o longa usou quatro locações principais: o Centro de Dança Athos, um depósito, o clube Ascade e a sede da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão.

repart-004Sem dúvida alguma, até agora foi o filme mais voltada para o mercado. O diretor tem uma preocupação comercial e seu trabalho tem público que justifique essa visão, além de uma influência da cultura pop e de quadrinhos na realização. Quanto à temática, do funcionalismo, quem acompanha a trajetória de Santiago, sabe que é uma volta ao tema, já que seu curta “Nada Consta” (sobre um sujeito que queria ir pra Lua e não conseguia pela falta de conseguir um “Nada Consta” abordava o assunto).

Se depender do entusiasmo do público, que compareceu e lotou o Cine Brasília, às onze da manhã de sábado, A Repartição do Tempo terá uma carreira de sucesso.