A Sombra do Pai – Entrevista com diretora e protagonista

Diretora Gabriela Amaral Almeida e ator Julio Machado falam um pouco sobre o filme multipremiado que estreia nesta quinta-feira

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30 de abril de 2019

‘A SOMBRA DO PAI’, NOVO LONGA DE GABRIELA AMARAL ALMEIDA, ESTREIA NESTA QUINTA

Confira [Entrevista] com a cineasta Gabriela Amaral Almeida e com o ator Julio Machado, que falam ao Almanaque Virtual sobre o multipremiado filme “A Sombra do Pai” — estréia desta quinta-feira no circuito de cinemas brasileiros — uma das mestras do horror psicológico e do terror no cinema brasileiro contemporâneo. A entrevista foi realizada pelo almanaquista Filippo Pitanga e Samantha Brasil.

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Link da entrevista com a cineasta logo abaixo:

👉🏽https://youtu.be/KE12zMCsUg8👈🏽

Link da entrevista com o ator Julio Machado:

👉🏽 https://youtu.be/ahhJKdLI3Cc👈🏽

Debate no Festival do Rio 2018 com equipe e elenco, mediado por Filippo Pitanga – crítico de cinema:

👉🏽 https://youtu.be/9Ap0JwTTUXY👈🏽

Diretora Gabriela Amaral Almeida fala um pouco sobre seu novo filme “A Sombra do Pai” que concorreu no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e levou os prêmios de som para Daniel Turini, montagem para Karen Akerman e atriz coadjuvante para Luciana Paes, numa conversa descontraída e reveladora de técnicas e preferências cinematográficas para os entrevistadores Filippo Pitanga e Samantha Brasil (também câmera).

A cineasta também dirigiu o longa-metragem “O Animal Cordial”, sucesso recente no circuito comercial, além de curtas-metragens premiados como “A Mão que Afaga” e “Estátua!”, e roteirizou filmes como “Quando Eu Era Vivo” de Marco Dutra, que conta com os grandes Marat Descartes e Gilda Nomacce no elenco estelar, e “Vaca Profana” de René Guerra.

“A Sombra do Pai” — Filme protagonizado por Julio Machado e Nina Medeiros estreia em 2 de maio, e no circuito da Cinépolis/Caixa de Pandora, em 16 de maio

“A SOMBRA DO PAI”, escrito e dirigido por Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial), estreia nesta quinta-feira, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Recife, Salvador e São Luis. O filme, que foi o vencedor de três prêmios no 51º Festival de Brasília, onde fez sua estreia mundial, chega ao circuito comercial dia 2 de maio e pelo projeto Cinépolis/Caixa de Pandora e em outras cidades brasileiras, a partir de 16 de maio.

Gabriela trabalha neste roteiro, que seria seu primeiro filme, há anos. “‘A SOMBRA DO PAI’ caminhou lado a lado às minhas descobertas como artista. Acompanhou meus curtas e os roteiros que escrevi para outros diretores. É um texto que reflete este caminho, de forma intuitiva, e que está muito próximo de minha autodescoberta como escritora e diretora. É um filme especial e bastante íntimo”, explica a cineasta.

Protagonizado por Julio Machado (Joaquim) e Nina Medeiros (As Boas Maneiras), “A SOMBRA DO PAI” conta a história de Dalva, uma menina de nove anos às voltas com o silêncio do pai, o pedreiro Jorge (Machado), que fica mais triste após perder o melhor amigo em um acidente. A irmã de Jorge, Cristina (Luciana Paes, de O Animal Cordial), administrava a vida de pai e filha desde a morte da mãe da menina, há três anos. Quando Cristina deixa a casa do irmão para se casar, Jorge e Dalva precisam enfrentar a distância que os separa.

Fã de filmes de terror, Dalva acredita ter poderes sobrenaturais e ser capaz de trazer a mãe de volta à vida. À medida que Jorge se torna cada vez mais ausente – e eventualmente perigoso –, resta a Dalva a esperança de que sim, sua mãe há de voltar.

A diretora comenta a representatividade do personagem de Machado: “O personagem Jorge é o lixo tóxico de um sociedade hiper-capitalista e cruel. Ele é vítima e algoz de quem lhe é imediatamente mais fraco – no caso, a filha. É também o subproduto de nossa sociedade patriarcal. O arquétipo do homem forte, viril, apolíneo – mas que, por dentro, está desmoronando pelo simples fato de não saber amar, cuidar, chorar, pedir ajuda, ou seja, por não saber fazer absolutamente nada que o coloque numa suposta condição de ‘fragilidade’. O monte de músculos e força que ele aparenta ser contrasta com a pilha de medos, angústias e incertezas que ele realmente é”.

“A SOMBRA DO PAI” aborda as consequências da inversão de papéis entre um pai e uma filha, que enfrentam uma situação de exceção, por meio de uma narração realista, com toques de horror e fantasia, marcas registradas da diretora.  A fantasia permeia todos os trabalhos de Gabriela, que a utiliza como “materialização dos dramas internos dos personagens”. Para ela, este é “um signo do que os personagens sentem e, na maior parte das vezes, não conseguem expressar – eles sequer são conscientes desses dramas. O monstro surge porque nos recusamos a enfrentá-lo quando ele ainda é uma larva. Ele cresce e se torna maior que nossa própria consciência. É este o mecanismo que me interessa na construção do fantástico, do horror, do terror e derivados”.

Para a escolha dos atores, a diretora contou com o apoio da produtora de elenco Alice Wolferson e do preparador de elenco Tomás Decina. “Testamos mais de 300 crianças para chegarmos à Nina Medeiros e à Clara Moura, que chamaram nossa atenção pela energia concentrada durante as improvisações”, lembra Gabriela. “Julio Machado também foi uma indicação da Alice e me ganhou no primeiro encontro. Já Luciana Paes é minha parceira de anos; a personagem Cristina foi escrita para ela”, completa.

“A SOMBRA DO PAI” é uma produção da Acere, em coprodução com a RT Features e tem distribuição no Brasil da Pandora Filmes.

SINOPSE 

Quando uma criança é obrigada a virar o “adulto da casa” porque seu pai está doente e a sua mãe, morta, há uma inversão na ordem natural das coisas. A infância se transforma em saga. E a paternidade frustrada, em condenação.

FICHA TÉCNICA 

Direção e roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Argumento: Gabriela Amaral Almeida
Elenco: Júlio Machado, Nina Medeiros, Luciana Paes
Produção: Acere
Coprodução: RT Features
Produção: Rodrigo Sarti Werthein, Rune Tavares e Rodrigo Teixeira
Produção Executiva: Rodrigo Sarti Werthein e Rune Tavares
Direção de Fotografia: Bárbara Álvarez
Direção de Arte: Valdy Lopes Jn.
Montador: Karen Akerman
Trilha Sonora: Rafael Cavalcanti
Idioma: Português
Gênero: Drama / Fantasia / Horror
Ano: 2018
País: Brasil
Classificação: 16 anos

O filme faz parte do projeto CAIXA DE PANDORA NA CINÉPOLIS, e tem exibição garantida nos seguintes cinemas, e suas respectivas cidades:

São Paulo – Cinépolis JK Iguatemi
Barueri – Cinépolis Iguatemi Alphaville
Bauru – Cinépolis Nações Bauru
Campinas – Cinépolis Campinas Shopping
Guarulhos – Cinépolis Parque Maia
Jundiaí – Cinépolis Jundiaí Shopping
Sorocaba – Cinépolis Iguatemi Esplanada Sorocaba
Ribeirão Preto – Cinépolis Iguatemi Ribeirão Preto
São José do Rio Preto – Cinépolis Iguatemi São José do Rio Preto
Rio de Janeiro – Cinépolis Lagoon São José – Cinépolis Continente Park
Uberlândia – Cinépolis Center Shopping Uberlândia
Curitiba – Cinépolis Pátio Batel
Caxias do Sul – Cinépolis San Pelegrino
Santa Maria – Cinépolis Praça Nova
Olinda – Cinépolis Patteo Olinda
Macapá – Cinépolis Amapá Garden
João Pessoa – Cinépolis Manaíra Shopping
São Luis – Cinépolis São Luís Shopping
Natal – Cinépolis Natal Shopping
Belém – Cinépolis Boulevard Belém
Manaus – Cinépolis Millennium
Salvador – Cinépolis Bela Vista
Teresina – Cinépolis Rio Poty
Fortaleza – Cinépolis RioMar Fortaleza

SOBRE A DIRETORA 

A SOMBRA DO PAI é o segundo projeto de longa-metragem de Gabriela Amaral Almeida, e estreia em Festivais quase simultaneamente à estreia comercial de seu primeiro filme, O ANIMAL CORDIAL (em cartaz nos cinemas brasileiros a partir do dia 9 de agosto). Diretora, roteirista e dramaturga, Gabriela é Mestre em literatura e cinema de horror pela UFBA (Brasil) com especialização em roteiro pela Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV) de Cuba. Escreveu (e escreve) para outros diretores, como Walter Salles, Cao Hamburger e Sérgio Machado. Como diretora, realizou os curtas “Náufragos” (2010, co-dirigido com Matheus Rocha), “Uma Primavera” (2011), “A Mão que Afaga” (2012), “Terno” (2013, co-dirigido com Luana Demange) e “Estátua” (2014). O conjunto de seus curtas foi selecionado para mais de cem festivais nacionais e internacionais, tais como o Festival de Cinema de Brasília, o Festival Internacional de Cinema de Roterdã, o Festival de Curtas de Nova York, dentre outros.

São destaque os prêmios recebidos por algumas destas obras, como os prêmios de melhor roteiro, melhor atriz (para Luciana Paes) e prêmio da crítica no 45o Festival de Cinema de Brasília para “A Mão que Afaga”, e os prêmios de melhor atriz (para Maeve Jinkings) e melhor roteiro para “Estátua!”, no mesmo festival, dois anos depois. Com o seu projeto de longa-metragem “A Sombra do Pai”, foi selecionada para os laboratórios de Roteiro, Direção e Música e Desenho de Som do Sundance Institute. O projeto contou com a assessoria de Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”), Marjane Satrapi (“Persépolis”), Robert Redford (“Butch Cassidy and the Sundance Kid”), dentre outros.

Seu mais recente trabalho como roteirista foi para o média-metragem “A Terra Treme”, drama ambientado na tragédia ambiental ocorrida em Mariana, Minas Gerais. Dirigido por Walter Salles, o curta integra uma antologia composta por cinco curtas, dirigidos por outros quatro diretores além de Salles: Aleksey Ferdochenko (Rússia), Madhur Bhandarkar (Índia), Jahmil X.T. Qubeka (África do Sul) e Jia Zhangke (China). O filme coletivo estreia no Festival de cinema BRICS, em Chengdu, na China, em junho deste ano (2017).

Atualmente, trabalha no desenvolvimento de seu próximo longa-metragem, uma fábula de exorcismo (ainda sem título), a ser produzida também pela RT Features. Nos Estados Unidos, é agenciada pela WME.