A Terra e a Sombra

Filmagem devastadora de conflito de terras intimista nas sombras de uma família

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19 de dezembro de 2015

“A Terra e a Sombra” do colombiano César Augusto Acevedo foi o grande vencedor do Caméra D’Or em Cannes 2015, e, apesar de estreante, teve a honra de ver seu filme não apenas ser exibido na Semana da Crítica de Cannes como ter superado as previsões que indicavam as inovações técnicas de “Son of Saul” como ganhador. Na verdade, este crítico confessa ter começado os vinte primeiros minutos um pouco contrariado, talvez pela alta expectativa frente ao prêmio que ganhou, mas de fato o filme começa a ganhar o espectador a partir de sua segunda terça parte, com pequenas grandes cenas minimalistas e muito emotivas, apesar da predominância seca do tema.

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Seca, aliás, literal, pois retrata a dura vida de cortadores de cana de açúcar na Colômbia, o que já deixou um jovem pai de família doente, no que sua mãe e esposa são quem cuidam de tudo e trabalham arduamente nos campos no lugar dele. Isto até o avô, que outrora os abandonou, chegar para ajudar. Com elenco quase todo formado por não-atores, com exceção da nora, os enquadramentos estão sempre em pequenos movimentos através das janelas, portas e plantações, como se dissessem que a vida continua a despeito daquelas pessoas, a partir das sombras daquela terra.

E a sucessão de cenas no último terço de projeção como a do sonho com o cavalo e a impressionante sequência da queimada realmente alcançam o espectador. Mesmo sem se discutir aqui o merecimento ou não do Caméra D’Or, sem contar que já acumulou outros quatro prêmios internacionais, é graças a láureas como estas que a filmografia Colombiana sem suporte nenhum de seu governo consegue visibilidade internacional para continuar a se desafiar.


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