Acusada

Longa argentino-mexicano que mistura os gêneros drama, thriller e tribunal é uma gratíssima surpresa da 20ª edição do Festival do Rio

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12 de novembro de 2018

Dolores Dreier (Lali Espósito) leva uma vida normal de estudante de classe alta até que sua melhor amiga é brutalmente assassinada. Dois anos depois, ela é a única suspeita e acusada de um crime com uma enorme exposição midiática, em que todo mundo opina sobre sua inocência ou culpa. Ela passa seus dias isolada em sua casa se preparando para o julgamento, sendo controlada pelos advogados e superprotegida por sua família. O aumento da pressão com o andamento do processo judicial faz com que segredos e suspeitas surjam no seio familiar, fazendo com que Dolores se sinta cada vez mais encurralada. A sinopse por si só já é instigante, mas o roteiro escrito por Ulises Porra Guardiola e Gonzalo Tobal, que também é o diretor, é ainda melhor.

“Acusada” não é apenas um filme de tribunal, é também um thriller e uma drama envolvente que deixa o espectador com a pulga atrás da orelha até depois que termina. O mistério paira no ar durante todo o longa: ora parece que Dolores é inocente, ora parece que é culpada. O mérito é totalmente da atriz que a interpreta, Lali Espósito, ainda desconhecida aqui no Brasil, mas que merece ser acompanhada de perto. Com uma carreira em telenovelas infanto-juvenis e poucos filmes de comédia, Lali é uma tremenda revelação para o cinema dramático e mostra a que veio no segundo filme de Gonzalo Tobal (o primeiro foi “Villegas”). Tem ótimas cenas contracenando com Leonardo Sbaraglia (“O Silêncio do Céu” e “Neve Negra”), que vive seu pai, e Daniel Fanego, que interpreta seu advogado, porém o auge de sua atuação acontece quando divide a cena da entrevista para TV com o figurante de luxo Gael García Bernal, que faz o entrevistador: com mudanças de rápidas de expressão facial que vão da fragilidade à revolta, é nela que o espectador começa a ver Dolores com outros olhos.

O longa tem como cenários principais a casa da família Dreier, que se torna a prisão de Dolores onde seu pai é o carcereiro, e o tribunal, local onde a jovem se sente mais oprimida e estressada com cada depoimento, que mais parece prejudicá-la que tudo. A escolha de Tobal por cores escuras e frias em tons acinzentados tanto nos ambientes e nas roupas quanto nas filmagens, em muitas cenas realizadas com pouca iluminação ou sombra, traduz os momentos sombrios que Dolores e sua família estão vivendo por quase três longos anos de processo, além do sofrimento de suas amigas e da família da vítima. “Acusada” não é um filme simples de tribunal, nem tem a intenção de ser. É mais uma surpresa maravilhosa do cinema argentino com um diretor/roteirista e uma protagonista que entregam um trabalho muito além das expectativas.

 

Festival do Rio 2018 – Première Latina

Acusada (Idem)

Argentina / México – 2018. 108 minutos.

Direção: Gonzalo Tobal

Com: Lali Espósito, Leonardo Sbaraglia, Inés Estévez, Daniel Fanego e Gael García Bernal.


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