Alice no País das Maravilhas

A peça é adaptação para uma realidade mais brasileira onde Alice encontra animais típicos da nossa fauna

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10 de outubro de 2017

O espetáculo Alice no País das Maravilhas – uma realização da catarinense Turma do Papum, e dirigido por Sérgio Tastaldi e Márcia Moellmann Pagani, foi apresentado no 10o FENATIFS, neste domingo, dia 08.10, às 16h no Teatro do Cuca em Feira de Santana. Em sua segunda visita ao festival a Turma do Papum apresentou um projeto que tinha como objetivo atender crianças menores através de códigos que buscam aos primeiros passos. Os passos da iniciação. Para isso eles utilizaram pernas laterais fosforescentes com o objetivo de manter a íris do público mais fechada e propiciando assim um facilitador total para a invisibilidade do fundo preto, realizada com a ajuda da luz negra. O teatro negro. A peça é adaptação para uma realidade mais brasileira onde Alice encontra animais típicos da nossa fauna, como o sapo cururu, micos, bicho-preguiça, a onça pintada, o tucano e o papagaio. Aqui, o jogo preferido da Rainha é o nosso futebol, assim, ela passa a ser Rainha das Copas (não de Copas), numa alusão às copas do mundo.

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Os bonecos em cena da peça “Alice no País das Maravilhas” da Turma do Papum.

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Alice em sua primeira mudança de tamanho, pronta para entrar por uma pequena porta, ao desconhecido.

Com a tecnologia do látex, a Turma do Papum criou os bonecos da peça, que mudam de tamanho em um passe de mágica, estica braços, flutua no ar. O cenário com as pernas laterais sempre em exposição da luz negra, neste caso, deu um aparente ar de previsibilidade e fazendo com que a gente perdesse a surpresa do aparecimento dos bonecos.  Quebrando um pouco o clima de suspense e segredo; que era mantido com os pisos quadriculados e os objetos em perspectiva. A história flui com naturalidade e é contada através do narração mecânica – voz gravada -, onde os atores se revezam em diversas personagens. Este expediente muito usado no teatro de animação requer uma grande precisão nos tempos de entrada e saída, e nas manipulações, além da sincronia da fala de cada uma das personagens. Com pequenos ajustes técnicos a serem feitos, a Turma da Papum realiza um trabalho encantador, muito profissional, e delicado sobre esta técnica pouco explorada em nosso país; ainda que a dramaturgia seja bem mais expositiva – lugar do belo -. do que conflitante – lugar do grotesco; para uma história adaptada de um dos maiores clássicos da literatura mundial, de nome original “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland) de Lewis Carrol, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, que apresenta um dos temas de mais difícil interpretação nas obras clássicas; sendo o mais discutido como o pertencente ao universo adolescente e a transição entre menina e mulher, e suas etapas conturbadas,  repletas de muitas referências da cultura local e da matemática, e que tem a lógica do absurdo e do mundo dos sonhos.


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