Amanda

Superação de perdas na geopolítica dos microcosmos

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05 de dezembro de 2018

Que coisa mais linda e inusitada este filme “Amanda” de Mikhaël HERS. Nunca esperaria sair os desdobramentos que se desvelam desta caixinha de surpresas.

E fala sobre perdas e ausências na balança de relações humanas e sociais em microcosmos que metaforizam perfeitamente os macrocosmos de nossa geopolítica! Não quero falar nada para não dar spoiler, mas nossas maiores paranoias sociopolíticas hoje em dia que se posicionam além da fronteira de nossa própria cultura vão ser transpostas em analogias de perda de identidade e de referencial da lacuna que nossos pais podem nos deixar (e quando digo “pais”, leia-se a relação do Estado para conosco também). Basta dizer isso e mais nada. Não porque haja tantas reviravoltas assim, porém a complexidade por trás de sua simplicidade prescinde de maiores explicações justamente para o espectador receber todas as transformações, bruscas e sutis, na vida dos protagonistas.

E como é libertador ver um personagem protagonista masculino se permitir chorar copiosamente também. Filmes evitam homem chorar muito… E é um choro intenso, de aprendizado. De superação. Um choro que se pode sorrir de forma agridoce no final.

O filme ganhou no Festival de Tóquio o Grande Prêmio do Júri e melhor roteiro para o próprio Mikhaël HERS em conjunto com Maud Ameline. O filme também foi laureado com o Prêmio Lanterna Mágica no Festival de Veneza também este ano, além de receber indicações merecidas de melhor atriz para a revelação mirim Isaure Multrier, no papel da madura e sensível personagem-título, com um universo inteiro contido em seus marejados grandes olhos azuis; e ainda a indicação de melhor ator para Vincent Lacoste, que aqui interpreta o tio da Amanda que vai ser tão belamente testado pelo destino, ator este que ainda veio este ano fortemente com outro dos filmes mais elogiados do ano: “Conquistar, Amar e Viver Intensamente” de Christophe Honoré.

Ambos os filmes foram exibidos no Brasil na Mostra de SP e no Festival do Rio 2018, e possuem estreias garantidas no Brasil. “Amanda” ainda não possui data definida e “Conquistar, Amar e Viver Intensamente” estreia dia 20 de dezembro.

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