América ― Uma História Portuguesa

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15 de maio de 2015

Há um desconforto muito claro, logo no início do filme “América ― Uma História Portuguesa”, que se apossa da personagem Liza (Chulpan Khamatova), uma imigrante russa que refez a vida em terras portuguesas. Dirigido por João Nuno Pinto, o filme traz em sua essência a questão da afluência de imigrantes em Portugal, pintando um retrato com matizes de drama e comédia. O contraste é curioso, o desejo de fuga, concentrado na personagem, diante da realidade de pessoas que buscam a estadia regular no país. A carga mais pesada fica justamente com Liza, que transmite uma angustiante sensação de aprisionamento. Casada com Vitor (Fernando Luís), um português vigarista, Liza parece totalmente dissociada do mundo ao redor, uma condição que o filme demarca bem. Seu filho pequeno ― o garoto misteriosamente se recusa a falar ― é a única motivação que ela tem para seguir em frente. De fato, a melancolia da protagonista é o que “América” tem de melhor.

O cenário de bagunça étnica, a casa da família de Liza repleta de estrangeiros, tem a graça como marcante característica, é inegável o teor cômico da situação. Tudo começa quando o grupo de picaretas, composto por Vítor, Melo (Raul Solnado) e Paulo (Dinarte Branco), abandona os truques utilizados para enganar idosas ingênuas e resolve imiscuir-se em fraudes para facilitar a vida de imigrantes ilegais em Portugal. Mais alguns membros são acrescidos na gangue, a espanhola Fernanda (María Barranco ― já dirigida por Pedro Amodóvar), ex-mulher de Vítor (pasmem!), e o brasileiro Matias (Cassiano Carneiro). Como consequência das novas atividades ilícitas, a casa é procurada por diversos estrangeiros. Um trio de médicos ucranianos procurado pela máfia russa tem maior participação no roteiro. Na convivência com Andrei (Mikhail Evlanov), um dos ucranianos, Liza descobre um sentimento há muito adormecido: a paixão. Com tanto para contar, é uma pena que “América” tropece na própria complexidade. Por mais que o dilema de Liza desperte interesse, o resultado é um roteiro carregado, que não encontra tempo para se aprofundar em seus diferentes aspectos.


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