Amor de Mãe: Novos episódios

Após recesso devido à pandemia, gravações da novela voltaram com todos os protocolos de segurança

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17 de março de 2021

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“Amor de Mãe” é uma novela que ressignifica a narrativa no que tange ao folhetinesco. Sempre dinâmica, respeitando a trinca feminina de protagonistas e cuidando para que sua tessitura não seja perfurada pelo clichê mal trabalhado (porque clichê existe em tudo, é a vida!).

A trama escrita por Manuela Dias revoluciona ao abraçar mazelas e tabus cotidianos sem medo. Revoluciona por abraçar. Quem aqui, desconsiderando o cenário pandêmico, lógico, costuma abraçar moradores de rua? Quem aqui já experimentou esse ato de entrega ao outro marginalizado na e pela sociedade?

A essência de “Amor de Mãe” é o amor puro, é essa entrega, é esse abraçar empático. Amor de mãe é puro. Enxerga o outro e outras formas. As outras formas de se abraçar! E aí entra a exímia habilidade da direção, da fotografia e das escolhas de se mostrar ao espectador todos esses abraços por diversos ângulos criativos. Quebra-se um paradigma da mise en scéne clássica novelesca, mas não se rompe o abraço. E o calor desse contato invade o coração do espectador. A gente torce para que uma mãe encontre o seu filho e dê um forte abraço nele. Essa busca é o fio principal da trama, a qual conduz as nossas emoções.

Hoje a retomada de “Amor de Mãe” provou, mais uma vez, que está aí para abraçar as reinvenções. Teve de haver demolição, síntese, reconstrução. Eis o grande desafio lançado a um roteirista! Afora algumas pisadas na bola (como a cena da multa, por exemplo), pode-se dizer que assistimos hoje a um capítulo histórico, por muitas razões. Testemunhamos a novela que abraça sendo impedida de abraçar. Feito a D. Lourdes, desolada, querendo se aproximar dos meninos e meninas de rua, querendo ser mais afetuosa e não somente uma mera provedora de quentinhas e máscaras. A pandemia travou o ímpeto de “Amor de Mãe”, mas não afetou sua essência e coragem.

A cena final é um deslumbre; “preciso me lavar da rua”, diz a personagem de Adriana Esteves. É a realidade se entranhando metaforicamente ao estado emocional daquela mulher; daquela mãe atormentada, que se vê sufocada pelas mentiras, pelos crimes… E ela se despe, se lava, e cai exaurida sob o chuveiro… é quase uma metalinguagem dos novos tempos, da nossa vida em meio a uma pandemia, em meio a um genocídio, a um modus operandi perverso e inexorável.

Estamos em um beco sem saída também, Thelma. É um tanto disso que a gente tem sentido. Queremos nos libertar desse sufocamento imposto por todos os lados. “A gente quer é ter muita saúde. A gente quer viver a liberdade”, como já entoa o tema de abertura. É isso. Obrigado, “Amor de Mãe”.