Amor em Sampa

Nem filme sobrevive só de boas intenções

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18 de março de 2016

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Bruna Lombardi solidificou sua carreira com filmes e representações feministas, de modo que seu nome carrega uma vanguarda brasileira. E quando se juntou ao marido Carlos Alberto Riccelli, através das décadas, embarcaram em projetos conjuntos que honrassem a cartilha original, aumentando sua significação. Após hiato no cinema, começaram a fazer trabalhos como o agradável naïf e de estética almodovariana “Onde Está a Felicidade?”, o fraco “O Signo da Cidade”, e agora a bomba “Amor em Sampa”, roteirizado pela musa e dirigido pelo marido e pelo filho, Kim Riccelli.
Claramente inspirado em comédias românticas corais como “Simplesmente Amor”, e ao mesmo tempo no gênero que homenageia cidades internacionais, ‘Cities of Love’, cujo último exemplar foi “Rio, Eu te Amo”, curiosamente quando eles voltam seu amor para Sampa, atingem seu maior calcanhar de Aquiles. Com uma história simples, perde o foco em mais de um protagonista sem segurar a trama,  dentre eles: casais desencontrados, aspirantes a artistas e até publicitário tentando resgatar a humanidade de um centro urbano, onde, apesar de louvável, nenhum deles consegue capturar o espírito paulista — Diferente do subestimado de pouco tempo atrás “Ponte Aérea” que brincava bem melhor com as idiossincrasias de Rio / São Paulo.

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Todavia o mais sofrível é quando, não contente com a junção de gêneros desencontrados e perda de foco em um filme coral, ainda almeja se transformar em musical, com números amadores, pouco empolgantes, além de letras risíveis escritas pela própria família Lombardi. Apesar de uma boa estética plástica, advinda da linguagem publicitária de comerciais, e um único bom número inicial com o táxi do protagonista Carlos Alberto Riccelli preso no trânsito no meio do povo de verdade cantando, as músicas só não caem totalmente no ridículo por completo por causa do esforço de humor do carisma inegável dos comediantes Miá Mello e Tiago Abravanel, que se esforçam em meio ao texto paupérrimo. O filme ainda consegue dar mais um passo para o abismo quando a ingenuidade dos diálogos se acreditam pró-minorias de direitos, como a favor das mulheres, negros, desfavorecidos sociais, obesos ou gays, e consegue fazê-lo de forma tão canhestra e ambígua que acaba muitas vezes parecendo detratá-los. Um ponto muito negativo para uma atriz/roteirista notoriamente reconhecida por seu feminismo.  401308

Amor em Sampa (idem)

Brasil, 2016. 120 min

De Carlos Alberto Riccelli e Kim Riccelli

Com Eduardo Moscovis, Tiago Abravanel, Miá Mello, Mariana Lima, Bruna Lombardi, Carlos Alberto Riccelli, Rodrigo Lombardi


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