Amor Por Direito

Filme discute direitos dos casais homossexuais sem focar no romance das personagens

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22 de abril de 2016

Em 2010, Julianne Moore fez par romântico com a atriz Annette Bening no longa “Minhas Mães e Meu Pai” e, em 2015, ganhou o Oscar de Melhor Atriz por interpretar uma mulher com Alzheimer precoce em “Para Sempre Alice”. Sob a direção de Peter Sollett (“Uma Noite de Amor e Música”), Moore vive Laurel Hester, uma espécie de mistura entre as duas personagens anteriores, em “Amor Por Direito”: uma mulher homossexual que descobre ter uma doença terminal pouco tempo depois de oficializar a união estável com a companheira Stacie Andree (Ellen Page, que há pouco tempo assumiu sua homossexualidade ao mundo e se tornou ativista LGBT). Tudo o que Laurel deseja é ter o mesmo direito de deixar a pensão para Stacie como os outros detetives policiais deixariam para suas esposas, benefício que os conselheiros de New Jersey (os freehelders) querem lhe negar, e precisa lutar para conseguir.

Adaptação do documentário vencedor do Oscar 2008 “Freeheld: A História de Laurel Hester”, o filme tem como ponto central a discussão sobre os direitos dos casais homossexuais. À frente desta luta, está o ativista gay judeu Steven Goldstein, um Steve Carrel caricato e divertido, mas sem os exageros humorísticos de costume; apenas o suficiente para dar o alívio cômico a um drama tão triste. Dane Wells (Michael Shannon), parceiro profissional de Laurel, ganha muito espaço na trama ao ajudar o casal na luta por igualdade, e não pelo casamento gay, como Goldstein gostaria. O romance entre Laurel e Stacie fica em segundo plano em meio a todo o processo para conquistar o que deveria ser de direito, e é esta a intenção do roteiro escrito por Ron Nyswaner (“O Despertar de Uma Paixão”).

“Freeheld” (no original) tinha potencial para ser um grande filme, não fosse o formato tão comum, beirando o tom televisivo, escolhido por Sollett para contar uma história real que sozinha é capaz de emocionar o público, mesmo que não tão bem contada como deveria. A luta por direitos iguais dos homossexuais tem enormes força e relevância no mundo atual, e merecia direção e roteiro mais primorosos. “Amor Por Direito”, no entanto, consegue gerar empatia e levar o espectador as lágrimas, inclusive nos créditos finais, quando as verdadeiras Laurel e Stacie são mostradas. Não é um longa tão memorável quanto “Para Sempre Alice”, porém traz à luz um importante assunto que precisa ser discutido.

Amor Por Direito (Freeheld)

EUA – 2015. 103 minutos.

Direção: Peter Sollett

Com: Julianne Moore, Ellen Page, Steve Carell, Michael Shannon e Josh Charles.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3