Amy

Procura-se Amy desesperadamente

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02 de novembro de 2015

Antes de Amy Winehouse falecer em julho de 2011, o mundo assistia atônito, a forma como a cantora se destruía lentamente. A imprensa exibia sua deterioração física e a opinião pública a considerava um caso perdido, uma drogada sem limites. Aos 27 anos, a cantora faleceu sozinha em seu apartamento em Camden, distrito de Londres, vítima de uma parada cardíaca pelo uso abusivo de álcool e drogas, deixando um legado artístico memorável.

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O documentário “AMY” realizado pelo britânico Asif Kapadia (responsável pelo brilhante “Senna” de 2010) proporciona uma dimensão muito maior sobre aquilo que estávamos acostumados a ler nos noticiários, tornando este filme uma peça mais que necessária e oportuna.  Kapadia ilumina alguns pontos obscuros sobre a meteórica carreira de Amy Winhehouse, considerada uma das maiores cantoras de jazz depois de Billie Holiday e põe um fim às especulações grosseiras sobre sua morte prematura. Através de arquivos familiares e depoimentos de familiares, amigos e empresários, Kapadia recria com precisão cirúrgica, a ascensão e queda de uma artista irreverente e autêntica que não se importava com rótulos e que apenas queria compor e cantar suas canções repletas de angústia e lamentos.

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O impressionante acervo nos faz esquecer que estamos diante um documentário.  Em vários momentos, pensamos estar assistindo uma ficção do gênero found footage, tamanha a quantidade de filmes caseiros onde a cantora compartilha para câmera seus segredos e revelações com uma comovente intimidade.

Filha de pais divorciados e sofrendo de depressão desde cedo, Amy compunha canções para exorcizar seus demônios internos. Ela nunca acreditou em fazer sucesso e seus depoimentos afirmam sua inabilidade em lidar com a fama. O absurdo talento de Amy é exibido em aparições em pubs, clubes e lonas culturais no início de sua carreira, período de plena realização pessoal. Mas após uma decepção amorosa, seguida de uma breve internação e a troca de seu empresário, as coisas começam a mudar. Apesar de sua carreira deslanchar, sua vida pessoal declinou a ponto de interferir em sua vida pública tornando-se chacota da imprensa e do público que antes a reverenciava. É onde o sistema mostra sua verdadeira e monstruosa face.

E é onde este documentário adquire sua força maior. Sem vitimar nem idolatrar seu personagem, Kapadia faz um retrato autêntico de uma mulher talentosa cuja sombra interna era mais intensa que as luzes dos holofotes.

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Amy (Amy)

Reino Unido, Eua, 2015.

Direção: Asif Kapadia

Documentário

Avaliação Zeca Seabra

Nota 5