Animais Fantásticos e Onde Habitam

Spin-off da franquia de Harry Potter é um verdadeiro presente aos fãs e a quem aprecia o gênero fantasia

por

18 de novembro de 2016

Há quase exatos 15 anos, estreava nas telonas “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, primeira adaptação cinematográfica da saga escrita por J.K. Rowling. Eis que, após 5 anos do lançamento do desfecho “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” deixava os fãs do bruxinho órfãos, J.K. Rowling resolveu presentear os potterheads com uma extensão do universo mágico que criou e encantou o mundo inteiro anos antes. Trata-se do spin-off “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que, ao contrário do que muitos pensavam (ou ainda pensam), não é uma adaptação do livro fininho homônimo, mas sim uma história totalmente original escrita pela própria Rowling, que debuta maravilhosamente bem como roteirista de longas-metragens e escreverá mais três roteiros (um já está escrito e as filmagens começam em fevereiro de 2017) para uma nova franquia do universo mágico de cinco filmes.

Com a fuga das criaturas mágicas da maleta do protagonista e sua consequente caça numa Nova York dos anos 20 como plano de fundo, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é uma trama muito mais complexa e com um propósito muito maior do que se poderia imaginar quando o projeto foi anunciado em 2013. O magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne), autor fictício do já citado livro homônimo sobre as criaturas – que mais tarde tornou-se material didático de Hogwarts, escola de magia da saga “Harry Potter” –, aporta na cidade de Nova York em 1926 com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega os animais fantásticos que cataloga ao redor do mundo durante suas viagens. O que ele não esperava era esbarrar com o não-maj Jacob Kowalski (Dan Fogler) e ver algumas das criaturas fora de sua maleta causando confusão pela cidade, cuja comunidade bruxa norte-americana possui regras muito mais rígidas que a britânica quanto a possuir animais e interagir com não-majs por medo da exposição do mundo bruxo. A dupla se junta às irmãs Tina (Katherine Waterston) e Queenie Goldstein (Alison Sudol) para tentar resgatar os animais à solta e se depara com algo muito mais perigoso que todos eles.

O filme começa evocando a nostalgia de “Harry Potter” ao mostrar personagens utilizando feitiços já conhecidos pelos fãs e vai apresentando novos elementos do universo mágico ao longo de seus 133 minutos. Depois dos animais, é claro, outro elemento inédito que merece destaque é o chamado Obscurial, que carrega uma metáfora tão poderosa quanto a dos dementadores. No lugar dos heróis do trio de ouro dos enredos de “Harry Potter”, em “Fantastic Beasts and Where to Find Them” (no original) há o quarteto de ouro, que já ganhou o coração dos fãs, abrilhantando a história: Newt, Jacob, Tina e Queenie. Em perfeita sintonia, o grupo protagoniza os melhores momentos de alívio cômico e encarna completamente seus respectivos personagens, de forma que parece que nasceram para interpretá-los. Aliás, todo o elenco, que inclui Colin Farrell, Ezra Miller, Samantha Morton, Jon Voight, Carmen Ejogo, foi muito bem escolhido e não há nada de negativo a comentar sobre suas atuações, pelo contrário: elas são um complemento aos personagens muito bem construídos que crescem a cada cena, com quem você se identifica e quer conhecer mais, uma grande marca da literatura de J.K. Rowling. É interessante ressaltar que através de Jacob, o espectador tem a mesma visão que um não-maj/trouxa sendo apresentado pela primeira vez ao encantador mundo da magia, que, de fato, é como o fã se sentiu ao assistir a esta nova aventura depois de tantos anos. Além disso, a maleta de Newt é um personagem adicional, pois possui um mundo inteiro com diferentes ecossistemas e abriga inúmeras criaturas mágicas e objetos de seu dono, e aparece em boa parte das cenas como uma peça importante. Sobre a polêmica envolvendo a escolha de Johnny Depp como o vilão Gellert Grindelwald, não há ainda o que dizer de sua interpretação, porque ele só aparece no final por pouquíssimos minutos e praticamente não possui fala.

Dirigido por David Yates, diretor dos últimos quatro filmes da saga “Harry Potter”, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” tem a parte técnica impecável, com sua trilha sonora belíssima como de costume, composta por James Newton Howard, efeitos especiais de tirar o fôlego com bom uso do 3D, algo difícil de se ver nos longas que usam a tecnologia apenas para aumentar o valor do ingresso, figurinos e reconstituição de época incríveis. O único defeito do filme, talvez, seja o fato de haver alguns momentos que poderiam ter sido cortados, que alongaram a trama e desregularam o ritmo. Vale lembrar, no entanto, que o filme não foi baseado num livro como os da franquia de Harry Potter, em que Rowling explicava em detalhes componentes do mundo bruxo, e este primeiro longa tem como função introduzir um novo universo mágico e apresentar novos animais, então tais cenas são bastante justificáveis e não chegam nem de longe a ser um problema.

O filme tem como público-alvo os fãs de Harry Potter, porém tem a capacidade de encantar quem não é fã ou quem ainda não conhece o mundo mágico. Pelo fato da maioria dos fãs do bruxo já serem adultos, o longa é mais maduro, com toques sombrios e violentos típicos de Rowling. Quem já é fã, vai se sentir lendo um livro escrito por ela em formato de película e abraçado pela magia que ela trouxe de volta. Quem não é, pode vir a se tornar um, pois a história é divertida, emocionante e cativante, além de conseguir ser bem separada da franquia anterior, embora tenha alguns elementos iguais por se tratar no mesmo universo bruxo. Com “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, J.K. Rowling deu o melhor presente de Natal adiantado que um fã da saga “Harry Potter” poderia desejar.

 

 

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them)

EUA / Reino Unido – 2016. 133 minutos.

Direção: David Yates

Com: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Alison Sudol, Dan Fogler, Colin Farrell, Ezra Miller, Samantha Morton, Jon Voight, Carmen Ejogo e Johnny Depp.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 5