Annabelle

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06 de outubro de 2014

Em 2013, o diretor malaio James Wan conseguiu o que parecia improvável: renovar o cinema de terror americano. Evocando a aura dos filmes da década de 1970, seu “Invocação do Mal” conseguiu resgatar a qualidade que há muito não se via nas produções hollywoodianas e gerou expectativa de que o mercado voltaria aos eixos. Essa previsão acabou não se confirmando. Desde então, as produções de qualidade duvidosa voltaram a dominar o cenário e o filme de Wan parece ter sido apenas um ponto fora da curva. É o caso de “Annabelle”, spin off de “Invocação do Mal” que conta a história da boneca que dá nome ao filme.

ANNABELLE

Confiada a John R. Leonetti, diretor de fotografia de James Wan, a obra conta a história do casal Mia (Annabelle Wallis) e John (Ward Horton). Eles aguardam a chegada da primeira filha e vivem uma vida pacata, até que o ataque de dois membros de uma seita oculta muda tudo e amaldiçoa uma das bonecas da coleção de Mia, que, a partir do nascimento de Leah, passa a acreditar que o objeto é demoníaco.

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Apostando nos recursos narrativos mais batidos do gênero, ”Annabelle” constrói sua suposta atmosfera de terror com vultos, vozes sussurradas, sons estridentes em momentos chave e pouca luz, elementos que, combinados, não causarão mais do que um ou outro susto na plateia. Há espaço, também, para o livro obscuro que revela os mistérios mais assustadores da humanidade e que estava o tempo inteiro ali, na livraria da esquina.

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O que torna o filme patético, contudo, é a tentativa de soar como uma releitura de “O Bebê de Rosemary” (1968). A começar pelos nomes dos protagonistas, uma referência clara a Mia Farrow e John Cassavetes, passando por menções à cena da lavanderia e ao carrinho de bebê do pôster original do filme, tudo parece uma imitação barata do clássico de Roman Polanski. O novo apartamento do casal exerce uma opressão cruel sobre Mia, agravada pela ausência do marido no dia-a-dia da mulher. Essa ausência, que no filme de Polanski conduzia a um dos pontos centrais da trama – a suspeita de que tudo não passava de uma fantasia de Rosemary –, em “Annabelle” servirá ao mesmo propósito, com a diferença fundamental de que, aqui, a dúvida é inútil, já que existe apenas no mundo dos personagens.

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“Annabelle” ainda cita filmes como “O Exorcista” (1973), “O Iluminado” (1980) e “Poltergeist: o Fenômeno” (1982), mas sem maior inspiração, servindo apenas para mostrar que seu diretor assistiu aos filmes certos. É uma pena que não tenha sabido aproveitá-los muito bem.

Festival do Rio 2014 – Midnight Terror

Annabelle (Annabelle)

Estados Unidos, 2014, 102 minutos.

Direção: John Leonetti.

Com: Annabelle Wallis, Ward Horton, Alfre Woodard, Eric Ladin e Michelle Romano.


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