Antes de Dormir

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20 de janeiro de 2015

Do complexo “Amnésia” (2000) de Christopher Nolan ao açucarado “Como se Fosse a Primeira Vez” (2004), filmes que usam a falta de memória como temática são recorrentes no cinema. Dirigido por Rowan Joffe, o longa “Antes de Dormir”, adaptação do livro homônimo de S. J. Watson, é mais um que aposta no mote da amnésia. Nesse caso, para contar uma trama de suspense encabeçada por Nicole Kidman e Colin Firth, nomes que valorizam os cartazes espalhados pelo cinema. A doença da personagem de Kidman é envolta por condições bem numéricas. São 20 anos de memória excluída e apenas 24 horas de lembranças armazenadas. Trocando em miúdos, Kidman interpreta Christine, uma mulher quarentona que depois do trauma violento que sofreu há alguns anos, não consegue recordar as últimas duas décadas de sua vida. Todos os dias, ela acorda com pensamentos viçosos de seus vinte anos ao lado de alguém que não consegue reconhecer, um homem que se identifica como Ben (Colin Firth) e diz ser seu marido. Muito paciente, Ben conta toda manhã a mesma história para a esposa, a história de quem ela é, uma identidade que ela consegue memorizar até o amanhecer do dia seguinte. Como o espectador sabe tanto quanto Christine, logo surge uma interrogação a respeito da veracidade da versão de Ben.

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Na condução da trama, Nicole Kidman está pouco carismática como a mulher indefesa dividida entre as duas vozes que lhe afirmam estar contando a verdade. De um lado o marido Ben, Colin Firth e sua pitada de vilania maquinal, e de outro o misterioso Dr. Nasch (Mark Strong), um especialista que faz em Christine um tratamento às ocultas. Com situações pouco convincentes envolvendo as circunstâncias que envolvem a amnésia de Christine e alguns de seus lampejos, “Antes de Dormir” utiliza as previsibilidades com pontualidade britânica. As ilusões inseridas não chegam de fato a confundir e as pistas que norteiam as suspeitas surgem na medida e nos lugares certos, privando o espectador do prazer de montar, ao fim da película, um quebra cabeça com peças diversas e desordenadas. A consequência de tal deficiência resulta na resolução veloz dos problemas da protagonista, sem dúvida algo que prejudica o ritmo e a verossimilhança do roteiro, pondo em risco o apreço daquele que verdadeiramente importa, o público.

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