Anunciados concorrentes da Mostra Aurora da 21ª Mostra de Tiradentes

Mostra seleciona longas sempre inéditos e revelações de início de carreira

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21 de dezembro de 2017

DIVERSIDADE E ORIGINALIDADE MARCAM A SELEÇÃO DE SETE FILMES INÉDITOS QUE INTEGRAM A MOSTRA AURORA DA 21ª MOSTRA TIRADENTES 

Dedicada a diretores em início de carreira de longa, a Mostra Aurora exibirá sete longas inéditos de quatro estados brasileiros reafirmando a vocação da Mostra de Cinema de Tiradentes de destacar a experimentação e a ousadia na produção brasileira

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Espaço de descobertas, experimentação e ousadia, a Mostra Aurora é recorte da programação da Mostra de Cinema de Tiradentes dedicada às produções inéditas de diretores em início de carreira em longa-metragem (até três filmes). Durante a programação da 21a Mostra de Cinema de Tiradentes, a ser realizada entre os dias 19 e 27 de janeiro, o público poderá conferir sete longas-metragens em pré-estreias mundiais, que serão avaliados pelo Júri da Crítica formado por profissionais do pensamento audiovisual. Os filmes da Aurora se caracterizam por abordagens originais e arriscadas em suas temáticas e estéticas e todos eles são debatidos com o público durante o evento, sempre na manhã seguinte às exibições e com presença da equipe de produção e de críticos convidados. 

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Com curadoria de Cleber Eduardo e Lila Foster, a seleção em 2018 inclui “Madrigal para um Poeta Vivo”(SP), de Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho; “Imo” (MG), de Bruna Schelb Correa; “Ara Pyau – A Primavera Guarani” (SP), de Carlos Eduardo Magalhães; “Dias Vazios” (GO), de Robney Bruno Almeida; “Baixo Centro” (MG), de Ewerton Belico e Samuel Marotta; “Lembro mais dos Corvos” (SP), de Gustavo Vinagre; e “Rebento” (PB), de André Morais. 

Rebento

Rebento

A curadora Lila Foster relata que nesta edição serão exibidos filmes muito diferentes entre si, desde investidas mais naturalistas, de forte investimento em dramaturgia (caso de “Dias Vazios” e “Rebento”), até um filme em franco diálogo com o cinema experimental e calcado na desconstrução narrativa (“Imo”) e o olhar de resistência a uma comunidade indígena incrustada na cidade de São Paulo (“Ara Pyau – A Primavera Guarani”). A curadora também chama atenção para dois títulos em que personagens reais são biografados de maneiras mais distintas que o convencional (“Madrigal para um Poeta Vivo” e “Lembro Mais dos Corvos”). “Eles apresentam soluções estéticas diferentes na conformação do retrato de seus personagens: de um lado a fabulação e a multiplicidade de vozes e registros, de outro a economia nos enquadramentos e na forma do retrato que intensificam a abordagem”, diz Lila. 

“Ara Pyau – A Primavera Guarani”

“Ara Pyau – A Primavera Guarani”

A dupla de curadoria ainda destaca a insurgência como um sentimento que aflora no tom dos filmes selecionados para a Mostra Aurora em 2018, como pode ser visto tanto em ficções como “Baixo Centro” e “Rebento” quanto nos documentários. “Alguns filmes se pautam pela relação no espaço e pela melancolia com esse espaço”, afirma Cléber Eduardo. “A Aurora continua a demonstrar a diversidade autoral de uma nova geração de realizadores, algo que já aparecia entre os inscritos de um modo geral e se fez presente na relação dos selecionados”. 

O Júri da Crítica, formado por estudiosos do audiovisual que elegem o título a receber o Troféu Barroco e diversos prêmios oferecidos por parceiros da Mostra, será composto pela ensaísta e pesquisadora Carla Maia(MG), a jornalista cultural, crítica e pesquisadora Carol Almeida (PE), o crítico e pesquisador Rafael Carvalho(BA), o professor e pesquisador Reinaldo Cardenuto (SP); e a professora e pesquisadora Mariana Baltar(RJ). 

O anúncio e a premiação dos vencedores acontecem no encerramento do evento, dia 27 de janeiro, às 22h30, no Cine-Tenda. 

Em 2017, a Mostra Aurora completou a sua primeira década, totalizando 70 longas-metragens exibidos desde 2011. São dez anos de descobertas, provocações, tendências, invenções e novos rumos que marcaram o cinema brasileiro contemporâneo. “Num primeiro momento, a Aurora tentou ser um canal de difusão a um tipo de cinema que tinha pouco espaço de exibição, discussão e afirmação nos circuitos brasileiros”, relembra Cléber Eduardo, idealizador e curador da seção. “Com o passar dos anos, por ter se tornado efetivamente este espaço, a própria mostra estimulou seu próprio segmento e houve constante renovação dos filmes inscritos e selecionados”. 

Para o curador, os filmes da Aurora – sempre avaliados por um Júri da Crítica composto por profissionais do meio que se destacam na pesquisa e reflexão de cinema – se tornaram referência no que de mais arriscado se faz na produção de cada ano. São filmes que, muitas vezes, ganham sua maior projeção na competição da mostra, ao serem vistos pelas grandes plateias do Cine-Tenda, discutidos nas rodas de conversa durante todo o evento e estarem no centro de debates do Centro Cultural Yves Alves com a presença de críticos, pesquisadores e jornalistas no dia seguinte à projeção. 

Em seus dez anos, a Aurora revelou ou deu visibilidade a vários cineastas hoje muito bem estabelecidos no circuito brasileiro e mundial, entre eles Kleber Mendonça Filho (“Crítico”, 2008), Bruno Safadi (“Meu Nome é Dindi”, 2008), Felipe Bragança e Marina Meliande (“A Fuga da Mulher-Gorila”, 2009), Irmãos Pretti & Primos Parente (“Estrada para Ythaca”, 2010), Gabriel Mascaro (“Um Lugar ao Sol”, 2010) e Adirley Queirós (“A Cidade é uma Só?”, 2012; “Branco Sai, Preto Fica”, 2014). 

Outros que se destacaram no período, tanto na circulação quanto na repercussão dos filmes ao longo dos anos seguintes à exibição na Aurora, foram Gustavo Spolidoro (“Ainda Orangotangos”, 2008), Ivo Lopes Araújo(“Sábado à Noite”, 2008; “Medo do Escuro”, 2015), Marcelo Pedroso (“Pacific”, 2010), Taciano Valério(“Ferrolho”, 2013) e Allan Ribeiro (“Mais do que eu Possa me Reconhecer”, 2015). 

A Aurora sempre teve o caráter de criar espaço a uma produção à margem inclusive do chamado “cinema de autor” brasileiro, muitas vezes legitimado ou reconhecido em editais, premiações e produção. Na Aurora, imperam os filmes sem escalas hierárquicas, quase sempre sem orçamentos bem definidos, feitos numa guerrilha de garagem, com equipamentos portáteis e um senso de urgência que se transfere diretamente às estéticas. São filmes, conforme diz o curador, que “negociam menos” e não têm concessões – assumindo, assim, riscos e irregularidades inerentes às suas propostas. “É uma mostra de gana, não de grana. Como já disse o crítico Inácio Araujo: existem filmes que precisam ser vistos e outros que precisam apenas existir”, diz Cléber Eduardo.

CONFIRA A RELAÇÃO DOS FILMES SELECIONADOS DA MOSTRA AURORA 2018 

SEGUNDA- FEIRA – 22/01 

MADRIGAL PARA UM POETA VIVO

Documentário, DCP, Cor,83’, SP, 2018 

Direção: Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho

Elenco: Tico e Renan Rovida 

 “Madrigal para um Poeta Vivo” é um cântico à vida, uma homenagem estética ao escritor Tico. Devaneio fílmico sobre as reflexões que o personagem traz, é um filme sobre a memória, que traz à tona não só os percursos agonizantes do relembrar, mas também sua força política, de resistência, que insiste em reinventar o cotidiano e buscar sentidos perdidos.

TERÇA-FEIRA – 23/01 

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Ficção, DCP, Cor, 66’, MG, 2017 

Direção: Bruna Schelb Correa

Elenco: Giovanna Tintori, Mc Xuxu e Helena Frade 

Três mulheres, em meio a ações cotidianas, são transportadas a um mundo onírico regido por suas memórias. Memória é lugar de voltar, ainda que doa. 

QUARTA-FEIRA – 24/01 

ARA PYAU – A PRIMAVERA GUARANI

Documentário, DCP, Cor, 92’, SP, 2018 

Direção: Carlos Eduardo Magalhães

Elenco: Povos Guarani de São Paulo. 

A menor reserva indígena do Brasil, a Tekoa Pyau sofre por sua proximidade com os Juruá. Uma aldeia dentro da cidade de São Paulo, com 800 Guaranis que vivem ou sobrevivem, com sua cultura, sua língua e tradições, as contradições do mundo urbano, de periferia, após terem suas terras demarcadas em 2016. Em 2017, pela primeira vez na história do Brasil, acontece um processo de desmarcação de terras. Uma forte reação de uma juventude Guarani, guiada pelo espírito de Nanhderu, começa a se organizar para lutar pelos seus direitos. De dentro do movimento indígena, conhecemos esse povo, que habita uma metrópole e é desconhecido para a grande maioria da população. 

QUINTA-FEIRA – 25/01

DIAS VAZIOS

Ficção, DCP, Cor, 104’, GO, 2017 

Direção: Robney Bruno Almeida

Elenco: Carla Ribas, Arthur Ávila, Vinícius Queiroz, Natália Dantas, Nayara Tavares 

Jean e Fabiana, um casal de namorados, cursam o último ano do ensino médio em uma pequena cidade do interior e vivem o típico dilema de deixar a cidade em busca de um novo destino ou ficar e continuar a história dos seus pais. Após passarem o dia juntos, Jean toma uma decisão inesperada e Fabiana desaparece. Dois anos depois Daniel e Alanis tentam entender o que está por trás do que aconteceu. Para eles essa busca se transforma numa chance de reinventar suas vidas. 

BAIXO CENTRO

Ficção, DCP, Cor, 82’, MG, 2017 

Direção: Ewerton Belico e Samuel Marotta

Elenco: Alexandre de Sena, Cris Moreira, Marcelo Souza e Silva, Bárbara Colen, Renan Rovida 

Nos fragmentos de uma noite sem fim, Robert e Teresa se encontram, se conhecem e se separam pela força da opressão e pela ameaça da morte e da desaparição que se insinua continuamente. Circundados por Djamba, Gu e Luisa, a noite sugere encontros, êxtase, memórias da catástrofe e promessa irrealizada de felicidade. As sombras do amor em uma cidade que desmorona. 

SEXTA-FEIRA – 26/01 

LEMBRO MAIS DOS CORVOS

Experimental, DCP, Cor, 84’, SP, 2017 

Direção: Gustavo Vinagre

Elenco: Julia Katharine 

A vida de uma mulher trans contada numa insônia. 

REBENTO

Ficção, DCP, Cor, 97’, PB, 2017 

Direção: André Morais

Elenco: Ingrid Trigueiro, Zezita Matos, Fernando Teixeira, Zé Guilherme Amaral, Anna Luísa Pordeus, Verônica Cavalcanti, Margarida Santos, Palmira Palhano, Itamira Barbosa, Angélica Lemos e Franck Ferreira. 

Após cometer um crime contra o filho recém-nascido, Mulher abandona casa e família em busca de um destino desconhecido. Não se sabe quem é ela, nem o porquê de tal crime. O mistério sobre essa mulher é um dos pontos chaves da narrativa. No decorrer da história se chamará Maria, Rosa e Ana, talvez seja um deles o seu nome verdadeiro, talvez nenhum. Ela andará durante um dia inteiro, abraçada a uma melancia e terá breves encontros que marcarão o seu dia e a sua vida, enfrentando um mundo às vezes hostil e às vezes delicado, na tentativa de conviver com o amor e o desamor que traz em si. 

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

FONTE: DIVULGAÇÃO