Arábia

A narrativa proletariada na terra do sol contra o governo do mal

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02 de outubro de 2017

A noite do sábado dia 23 de setembro de 2017, com a exibição de “Arábia” e “A Passagem do Cometa”, mudou e muito as previsões da premiação desta noite. Até porque a excelente curadoria deste ano, estendida entre curtas e longas na mesma sessão, e com o acréscimo dos debates dos dias seguintes à exibição, realmente ajudaram a contar uma história. E pareceu que “Arábia” foi a cereja do bolo da história extra-filme.

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Esta edição do Festival está contando uma narrativa extra-filme incrível com a ordem com que curadoria dispôs o emparelhamento das obras. Uma realmente catalisou, potencializou ou mesmo desconstruiu a outra nestes dias. Foi uma experiência inestimável. Porém, muita gente saiu se perguntando qual era a ligação desta vez com os últimos filmes da Competitiva, “A Passagem do Cometa” de Juliana Rojas e “Arábia” de Affonso Uchoa e João Dumans. Mas o Almanaque Virtual chegou à conclusão de que ia além da solidão dos personagens ou o engajamento social, mas principalmente sobre o silenciamento e invisibilidade destes corpos sociais, que são escondidos dos olhos públicos ou por preconceito, ignorância ou descaso governamental, como o aborto e o imigrante trabalhador exposto a condições extremas e degradantes. A mesa responde sobre o diálogo trocado com este silenciamento, ora desinvisibilizado na tela, e como os filmes se comunicaram e provocaram catarses nas equipes um do outro.