Armas na Mesa

Jessica Chastain volta a trabalhar com John Madden em filme que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz

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07 de fevereiro de 2017

As roupas pretas e o visual agressivo de Elizabeth Sloane não deixam dúvida: a personagem de Jessica Chastain no novo longa John Madden, é um rolo compressor. No filme, a atriz, indicada ao Globo de Ouro pelo papel, interpreta uma lobista contratada para viabilizar a aprovação de uma lei que contraria os interesses do poderoso conglomerado das armas de fogo. Ambiciosa, “Miss Sloane” (no original) não mede escrúpulos para alcançar os seus objetivos, fiel à máxima maquiavélica de que os fins justificam os meios.

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Depois de “A grande mentira” (2010), Chastain e Madden voltam a trabalhar juntos. Mais uma vez, o diretor desenvolve sua linha do tempo alternando o presente com flashbacks que explicam melhor a trama, numa estrutura de filme de tribunal que retrata os trabalhos de uma comissão parlamentar instaurada para apurar os métodos duvidosos da protagonista.

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Apesar de eficiente, o filme se apoia em um roteiro repleto de soluções convenientes, sacadas da manga independentemente das incoerências narrativas que possam sugerir. A mais grave delas, o deus ex machina que encerra a trama, dando ao público a sensação de que algo se perdeu pelo caminho. Além disso, embora as questões éticas que envolvem os personagens pairem no ar durante toda a projeção, esse debate é pouco explorado, abrindo-se mão de um questionamento mais aprofundado em prol do simples entretenimento. Contudo, a narrativa é desenvolvida com competência pelo diretor, que sustenta bem o ritmo da trama e mantém vivo o interesse pela sua conclusão.

Avaliação Celso Rodrigues Ferreira Junior

Nota 3