Aroeira

Curta resgata gênero em voga para 2017: o faroeste cangaceiro

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22 de janeiro de 2017

20° Mostra de Cinema de Tiradentes: Mostra de Curtas

“Aroeira” de Ramon Batista é tanto um curta regionalista quanto um bom esforço de gênero no faroeste do cangaço brasileiro. Com ótima direção de arte inventiva e minimalista que consegue tirar leite de pedra, o filme aproveita as áridas locações do sertão na Paraíba, cuja natureza selvagem pode trair seus personagens, em prol de reivindicar uma fábula obscura que remete a vários assuntos em pauta: retirantes, seca, pobreza, crenças populares….

Ao todo, se segura pela atuação da dupla principal em arquétipos tarantianos que não resvalam na caricatura em nenhum momento. O diretor também toma a decisão consciente de priorizar a tessitura de sons e trilha no extracampo como norte opressor do que seguir a narrativa escrita do roteiro para passar o clima de suspense, ocasionando num experimentalismo sensorial eficiente sobre o gênero cangaceiro. Sem falar em uma maquiagem de ferimentos assombrosa, que contribui para a imersão. Sinal de ressurreição das ramificações brasileiras que flertam com o gênero faroeste nos cinemas em 2017 como com os ainda inéditos no circuito “Comeback” e “Deserto”.