A Árvore que fugiu do Quintal

Um espetáculo que engrandece o nosso segmento teatral para a infância e juventude

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04 de abril de 2016

Para escapar da morte, a Árvore resolve fugir do quintal. Com a ajuda de Joãozinho e seus amigos, ela arranca suas raízes do chão, aprende a andar e segue em busca de um lugar bonito, onde as pessoas ainda gostem da natureza. No caminho, encontra diversos personagens que tentam ajudá-la, entre eles: o Pássaro que deixou de ser colorido porque foi eletrocutado em um fio de alta-tensão, a Chapeuzinho Vermelho que ficou triste e cinza por causa da poluição, o Peixe Fora D´água que fugiu da sujeira do mar para viver na cidade e o Jardineiro que resolve acompanhá-la na aventura. Assim é a história de “A Árvore que fugiu do Quintal” com texto de Ricardo Hofstetter (adaptação do livro homônimo de Álvaro Ottoni de Menezes) e com idealização e direção de Zé Helau, em cartaz no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro. O texto original foi criado por Ottoni em um momento em que não estava em moda, e nem era assunto da ordem do dia, o termo ecologia. Assim, de uma forma bastante interessante ele consegue travar um diálogo, ainda que na caracterização de “primeiros passos”, sobre o desequilíbrio que o homem vinha proporcionando a natureza mundial. A especulação imobiliária, a destruição rápida e sem nenhum comprometimento com a flora e a fauna de nosso planeta. Para contar esta história, com ares ingênuo, o texto de Hofstetter mantêm um certo tom educacional, e algumas literalidades, que acompanham a obra original, mas que encontra bastante comunicabilidade com o nosso público infantil, principalmente com as crianças menores. Um texto que carrega consigo um assunto que se faz urgente nos dias de hoje. A direção de Zé Helou é de grande delicadeza, limpeza e organicidade. Partindo da simplicidade e da multi-transformação do cenário, Helou consegue extrair sofisticação e objetividade para nos contar esta história recheada de bom gosto e de muitas competências.

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Tatih Köhler como Árvore tem um desempenho muito sensível. Em cena com Saulo Segreto no papel de Intelectual. Foto de Leo Aversa.

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O elenco de “A Árvore que fugiu do Quintal” em cena no Teatro Oi Futuro do Flamengo. Foto Leo Aversa.

Tudo no espetáculo funciona muito bem, com precisão e desenvoltura. Os figurinos de Clívia Cohen, no tocante aos seres animados e lendários, são de extremo bom gosto, confecção e concepção. Destaque para os veios da Árvore, as escamas do Peixe e os belos tons de cinza da Chapeuzinho. Assim, como o cenário de Cohen, que se transforma, com delicadeza nos diversos mundos que habitam as histórias da ficção. Em um instante temos um quintal, em seguida um mundo cinza e logo uma floresta amazônica. A direção musical, arranjos e preparação vocal de Alexandre Queiroz vai pelo mesmo caminho de todo o espetáculo, onde menos é sempre mais. Nada é feito com histrionismos ou exteriorizações, e sim com contenção e suavidade. Estados estes que nos transportam para esse “jardim das delícias”. Os cantos e as músicas são quase faladas e ajudam a contar o universo que compreende a saga desta Árvore em busca do seu paraíso. A iluminação de Rogério Wiltgen é interessante, mas pouco explorada, e criada, no pequeno espaço do teatro do Oi Futuro. A direção de movimento de Fabiana Valor consegue imprimir no elenco linhas definidas para gestos e ações, e colabora para o encaixe das cenas, e da ampliação das marcas. No elenco Tatih Köhler realiza como Árvore um trabalho doce e de extrema sensibilidade e delicadeza, os movimentos duros que se fazem necessários, em sua caminhada, são aliados a uma voz muito bonita e um canto extremamente agradável. Cacá Ottoni como Pai de João, Chapeuzinho e Marina tem muitos bons momentos em cena, e aproveita todos eles com muita teatralidade, principalmente a impagável Chapeuzinho. Os demais atores cumprem as suas funções com correção, e seguindo mais as características das personagens que habitam as nossas histórias infantis, principalmente no que diz respeito a crianças e vilões.

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Tatih Köhler com Cacá Ottoni que também tem bom desempenho como Chapeuzinho. Foto Leo Aversa.

“A Árvore que fugiu do Quintal” é um espetáculo que engrandece o nosso segmento teatral para a infância e juventude. Realizada e idealizada com muito respeito, empenho e seriedade pelo diretor Zé Helou. Por tudo isso merece todos os seus méritos e elogios. Espetáculos assim estão fazendo falta em nosso estado do Rio de Janeiro.

FICHA TÉCNICA

Texto de Ricardo Hofstetter (adaptação do livro homônimo de Álvaro Ottoni de Menezes)

Direção: Zé Helou

Elenco:

Tatih Köhler – Árvore

Reiner Tenente – Criança 1 / Peixe / Jardineiro

Saulo Segreto – Joãozinho/ Intelectual/ João Grande

Cacá Ottoni – Pai de João/ Chapeuzinho/ Marina

Mariah Viamonte – Criança 2/ pássaro/ Potira/ lenhador 3

Jefferson Almeida – Serjão/ Caçador/ lenhador 1

Jeff Fernandéz – Bolão criança/ lenhador 2/ Bolão adulto

Letra e músicas: Vinícius Castro

Direção musical, arranjos e preparação vocal: Alexandre Queiroz

Cenário e figurinos: Clivia Cohen

Iluminação: Rogério Wiltgen

Direção de Movimento e Coreografias: Fabiana Valor

Assistente de direção: Jefferson Almeida

Diretor de palco: Anderson Aragón

Programação Visual: Andrea Batitucci

Assessoria de imprensa: Bianca Senna e Paula Catunda

Assistente de produção e mídias sociais: Luiza Toré

Produção executiva: Juliana Cabral

Direção de produção: Amanda Menezes

Coordenação de produção: Maria Angela Menezes

Produção: TEMA EVENTOS CULTURAIS

Idealização e Direção Geral: Zé Helou

 

SERVIÇO

Temporada: 12 de março a 29 de maio de 2016

Local: Oi Futuro (R. Dois de Dezembro, 63 – Flamengo)

Informações: (21) 3131-3060

Dias e horários: sábado e domingo, às 16h

Capacidade: 63 lugares

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: Livre

Recomendação etária: 3 anos

Gênero: Infantil

Ingressos: R$10 (meia) e R$20 (inteira)

Horários da bilheteria:

De terça a sexta, das 14h às 20h.

Sábados, domingos e feriados, das 13h às 20h

Ingressos à venda: www.ingressorapido.com.br ou pelo telefone 4003-2330.

Avaliação Ricardo Schöpke

Nota 4