As Aventuras de Robinson Crusoé

Nova adaptação animada para o romance clássico de Daniel Defoe perde por não ter emoção, aventura e humor esperados

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02 de dezembro de 2016

O romance “Robinson Crusoé”, escrito por Daniel Defoe em 1719 no Reino Unido, ganhou uma adaptação homônima para o cinema dirigida por Rod Hard e George T. Miller em 1997, com Pierce Brosnan no papel principal. Agora, com roteiro escrito por Domonic Paris (“A Mansão Mágica”, “As Aventuras de Sammy”, “Os Mosconautas no Mundo da Lua”) e direção de Vincent Kesteloot (“As Aventuras de Sammy 2: A Grande Fuga”) e Ben Stassen (“A Mansão Mágica”, “As Aventuras de Sammy”, “Os Mosconautas no Mundo da Lua”), o romance do século XVIII ganhou uma versão infantil animada sob o título de “As Aventuras de Robinson Crusoé”.

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Na trama, Terça-feira é um extrovertido papagaio que vive com seus amigos animais numa pequena e exótica ilha paradisíaca, mas que sonha em conhecer o mundo. Depois de uma forte tempestade, a ilha ganha mais um morador: o britânico Robinson Crusoé. O que seus amigos veem como estranha e perigosa criatura, Terça-Feira vê um passaporte para realizar seu sonho de sair da ilha, e Crusoé percebe que só conseguirá sobreviver ali com a ajuda do papagaio e dos outros animais. O que inicialmente começa com medo e desconfiança se transforma numa relação de amizade e companheirismo, com grande cooperação entre o humano e os bichos, que acabam humanizados ao viver numa casa na árvore cheia de mecanismos e alavancas. O longa se inicia com piratas invadindo a ilha e pouco depois Terça-Feira começa a contar a verdadeira história de Robinson Crusoé a dois ratos, que representam o público que ainda não a conhece. A partir daí, há alternância entre presente (navio pirata) e passado (ilha), que nos minutos finais, muito sem graça, se misturam.

Por se tratar de uma animação para crianças, os canibais presentes na história original foram transformados em gatos selvagens e o homem da tribo chamado Sexta-Feira, virou o papagaio Terça-Feira em “Robinson Crusoe” (no original). O que não precisava era a trama ter perdido completamente a emoção e o clima de aventura, como sugere o título nacional. O naufrágio, a interação entre humano e animais, a “batalha” entre os animais da ilha e Crusoé versus os gatos selvagens e a chegada do navio pirata – todas as subtramas carecem de drama e humor, já que as tentativas de alivio cômico não têm a menor graça. O elemento que mais chama a atenção – e também o mais adulto – na animação dirigida por Stassen e Kesteloot é a procriação dos gatos selvagens com objetivo de vingança. A tecnologia 3D empregada também é algo que literalmente salta aos olhos, pois é muito exagerada, a ponto de ser incômoda. Não há uma cena sequer em que o espectador não tenha um objeto ou uma parte de um animal (em especial o bico pontudo da passarinha) vindo em sua direção, o que se torna bastante cansativo após alguns minutos de projeção. Dessa forma, “As Aventuras de Robinson Crusoé” é uma animação que só vai agradar crianças bem pequenas, ainda que alguns de seus pontos possam ser confusos para entenderem.

As Aventuras de Robinson Crusoé (Robinson Crusoe)

Bélgica / França – 2016. 91 minutos.

Direção: Ben Stassen e Vincent Kesteloot

Com: Matthias Schweighöfer, Kaya Yanar, Ilka Bessin, Dieter Hallervorden e Aylin Tezel.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 2